27/05/2019 às 11h20min - Atualizada em 27/05/2019 às 11h20min

Tirar os sapatos antes de entrar em casa evita doenças?

Vida e Estilo
Foto: Divulgação
Se você não é do time que retira sapatos ao entrar em casa, certamente conhece amigos que o fazem. Já parou para pensar se este é um hábito de fato necessário?
 
“Não é propriamente uma forma de prevenir infecções. É algo que diz respeito ao asseio”, conta Carlos Leão, médico infectologista. Os nossos calçados tocam a terra e água contaminadas, então, se você quer manter a casa limpa, este é um costume bastante relevante.
 
“Não conheço nenhuma infecção que seja comprovadamente transmitida por sapatos. Mas nem tudo o que é verdadeiro precisa de comprovação científica. Uma verdade hoje só irá ter comprovação científica amanhã”, continua Carlos ao defender a prática.

Existem riscos reais de contaminação pelos sapatos?

De acordo com o infectologista, temos que pensar naquilo que o sapato pode tocar: uma areia contaminada por Toxoplasma, que causa toxoplasmose, por exemplo; terra contaminada com ovos de helmintos, que provocam verminoses; água contaminada por urina de rato, que pode conter uma bactéria chamada Leptospira, que causa a leptospirose... Não há como garantir que a transmissão de fato ocorrerá, mas se é possível investir na precaução, o recomendado é que isto seja feito.

Os cuidados necessários

Antes de tudo, analise o chão da sua casa: algumas superfícies são mais difíceis de limpar, como tapete, carpete e taco, e locais assim oferecem riscos maiores. Pessoas com crianças em casa devem redobrar os cuidados. “Minha recomendação é que o calçado seja retirado na entrada da casa, sim, ou que se passe pano com desinfetante todos os dias, mais ou menos perseguindo o trajeto dos calçados”, orienta Carlos.

Lembre-se que ovos de parasitas e micro-organismos em geral podem permanecer no ambiente por meses. “Doenças não são transmissíveis por calçados. Temos somente hipóteses, mas é possível! Infecções graves podem entrar pela boca: a criança que brinca em um chão contaminado pelo calçado, por exemplo, pode levar a mão à boca e eventualmente ter problemas. É algo a se pensar”, explica o infectologista.

Qual a forma mais educada de fazer o pedido às visitas?

De acordo com a consultora comportamental Bruna Barcelos, é necessário pensar em dois cenários. O primeiro é quando se recebe em casa técnicos ou funcionários: “Se você vai implantar o hábito, tenha na porta calçados descartáveis – como aqueles de hospital, de tecido ou com elásticos -, assim você pode pedir que a pessoa use-os sem precisar que ela tire os calçados.”

Agora, em relação às visitas, você pode oferecer chinelos ou mesmo definir alguns limites, como não pisar no tapete da sala com calçados, por exemplo. Uma boa tática: “Tenha uma prateleira ou sapateira na entrada de casa, as pessoas perceberão e tirarão os sapatos”, orienta Bruna.

Como o hábito ainda é cultural, Bruna acredita que o dono da casa deve respeitar se o convidado reclamar. A pessoa pode ficar incomodada e nunca mais voltar em sua casa “e isso não está nas regras de um bom anfitrião”, explica.

É claro que é possível justificar o pedido com gentileza ao convidado e, caso você seja a visita, se perceber que o anfitrião gosta, por que não respeitar? Olhe para o ambiente e faça o que os donos da casa fazem.

Não é só o sapato sujo que deve ser evitado em casa

Antes de tudo, lembre-se que, se a sola do sapato está contaminada, cadarços podem estar também. Manuseou um calçado? Lave as mãos!

Além disso, uma bolsa que vem da rua pode estar suja também. Não a coloque no sofá ou muito menos na cama – nossos olhos e boca tocam os mesmos lençóis!

Mantenha a bolsa em um local próprio e, por fim, não misture roupas usadas com tecidos limpos. “Chegou em casa? Retire a roupa que veio da rua e tome um banho”, finaliza o infectologista Carlos Leão.
 

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