21/11/2018 às 14h32min - Atualizada em 21/11/2018 às 14h32min

Guarda Costeira da Líbia desembarca à força 77 migrantes resgatados

Agência Brasil
Foto: Divulgação
A Guarda Costeira da Líbia desembarcou à força, na noite dessa terça-feira (20), 77 migrantes resgatados por uma embarcação de bandeira panamenha no Mediterrâneo e que se negavam a deixar o barco no porto de Misrata, por medo de serem torturados nos centros de detenção da Líbia.

"Unidades líbias armadas entraram na embarcação e tiraram os migrantes à força. Houve enfrentamentos e, inclusive, lançamento de gás lacrimogêneo. Alguns ficaram feridos", disse à Agência EFE uma testemunha em Misrata.

Fontes de segurança explicaram que os migrantes foram transferidos ontem à noite a esses centros de reclusão, apesar da reivindicação de organizações como a Anistia Internacional (AI), que advertiram sobre a possibilidade de uma nova violação dos direitos humanos.

A coordenadora humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Líbia, Maria Ribeiro, denunciou o ataque à embarcação em comunicado divulgado nas redes sociais.

"A comunidade humanitária está triste por como ocorreram os fatos. Os refugiados e migrantes que estavam a bordo procediam de Etiópia, Eritréia, Sudão do Sul, Paquistão, Bangladesh e Somália", afirmou.

"Não querer deixar um navio relativamente seguro, que lhes tinha recuperado do perigo no mar, é uma reação compreensível. É impugnável que os esforços de mediação não tenham permitido uma solução pacífica", ressaltou.

Em 16 de outubro, a Anistia Internacional pediu às autoridades europeias e panamenhas que evitassem que os migrantes, entre os quais vários menores, fossem levados à força a um país que não é considerado um porto seguro.

A organização advertiu, além disso, que o fato de o cargueiro "Nivin" ter sido obrigado a navegar rumo à Líbia, após realizar o resgate, supunha uma violação da lei internacional, que impede o desembarque de pessoas em países onde não são respeitados os direitos humanos.

"O protesto a bordo do navio agora atracado em Misrata é uma clara amostra das horríveis condições às quais fazem frente os migrantes e solicitantes de asilo nos centros de detenção da Líbia", afirmou Heba Morayef, diretora da Anistia Internacional no Oriente Médio e norte da África.

"Os governos europeus e o panamenho devem trabalhar com as autoridades líbias e encontrar uma solução para essas pessoas que garanta que não vão ser detidas de forma indefinida na Líbia, onde é praticada a tortura", alertou.

Os migrantes, um total de 91, foram resgatados em 9 de novembro, quando navegavam à deriva em um bote precário que tinha saído do litoral da Líbia com destino à Itália.

Após chegar ao porto da cidade-estado de Misrata, 14 deles aceitaram desembarcar, mas o resto se negou, afirmando que preferiam "morrer a bordo" do que voltar a um país onde já tinham sofrido torturas.
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