27/04/2018 às 10h45min - Atualizada em 27/04/2018 às 10h45min

Eles tiveram uma segunda chance

Até abril de 2008 os animais recolhidos nas ruas eram mortos das piores maneiras possíveis.

ANDA Agência de Notícias de Direitos Animais
Foto: Imagem Ilustrativa
Os cães Jack, Lion, Kevin, Sagati e o gatinho Nobel escaparam de um terrível fim no CCZ de SP desde que ficou proibida a matança de animais abandonados por força de uma lei estadual. Mas até abril de 2008 os animais recolhidos nas ruas eram mortos das piores maneiras possíveis incluindo câmara de gás, de descompressão, por injeção letal, choque ou a pauladas. A prefeitura dava apenas o prazo de três dias para o tutor retirar seu animal e cobrava uma multa.

Jack é um pit bull que vivia no CCZ há quatro anos antes de ser adotado por Clayton Medeiros. Hoje ele é Jack Risoleto (ganhou até um sobrenome): “Só tenho a agradecer por essa lei, pois, o Jack entrou na minha vida e mudou tudo por completo. Quando cheguei no CCZ foi amor à primeira vista ao vê-lo”, conta.


Jack foi abandonado próximo a uma creche. “Ligaram para o CCZ dizendo que ele estava atacando as crianças, mas eu duvido pela personalidade pacífica que ele tem. Inclusive, lá no CCZ ele precisou ficar isolado, mas não por ser agressivo e sim porque os demais cães batiam muito nele. O problema é que ainda existe muito preconceito e devem ter acionado o CCZ por se tratar de um pit bull”, continua.



Sagati, outro pit bull, foi parar no CCZ porque adultos e crianças estavam jogando pedras nele. Seu tutor morreu e a casa foi incendiada por vândalos que o amarraram num poste. Uma pessoa o soltou e tentou levá-lo para casa, mas ele sempre voltava para a frente do seu antigo lar onde os vizinhos começaram a agredi-lo.

Assim como Jack, a índole de Sagati é pacífica e foi por isso mesmo que Ines Reis quis adotá-lo. “O Sagati estava quietinho num canto do CCZ e julgamos que se manteria assim calmo conosco. Demos um passeio com ele e resolvemos levá-lo. Estamos com ele desde 2012 e, de fato, ele é um bom cachorro que adora crianças e não liga para outros cães na rua”.



Kevin e Lion são outros dois cães que tiveram uma segunda chance graças à Lei Feliciano. A voluntária do CCZ Anne Missiaggia Picorone ofereceu lar temporário ao Lion porque ele havia sido atropelado e necessitava de um lugar mais confortável para se recuperar. Porém, ela e sua família se apaixonaram pelo cachorro e não mais o devolveram.



“Já o Kevin, no canil do CCZ, era apelidado de Treze por ser um dos mais bravos. Carinho nem pensar. Mas ele me deixava levá-lo para passear e achei que podia dar uma chance a ele. Hoje ele é dócil, adora um carinho, convive muito bem com os sete irmãos gatos e o irmão Lion”, conta Anne.

Nobel vivia há três anos no CCZ de SP. Sendo um gato preto e com problemas de saúde tinha poucas chances de ser adotado, mas acabou encantando Miriam Ferreira que já tinha experiência com gatos como Nobel, com dificuldade de segurar as fezes.

“Não me importei com isso. Nobel é um gato lindo e estava ficando na sede nova do CCZ para ver se suas chances de adoção aumentavam. Eu quis levá-lo para casa e ele se adaptou muito rapidamente a nossa rotina. Até mesmo melhorou de seu problema de saúde”, conta. Nobel era tão querido no CCZ que ganhou até uma festa de despedida (vide foto) e ainda foi convidado para participar do livro “Ághata Borralheira & Amigos – Tocando Corações” que reúne histórias e fotos de animais que são exemplo de superação.



Salvo pelo gongo, um dos primeiros beneficiados pela lei 12.916 que proibiu a matança de animais em situação de rua, foi o cãozinho Zóio adotado pela então voluntária do CCZ de SP, Keké Flores.



“Ele estava lá desde 2008 e achei melhor levá-lo pra minha casa quando soube que estava com câncer”, conta. Zóio teve a chance de desfrutar de um lar antes de morrer assim como Felipe – outro cãozinho idoso, porém paraplégico, adotado do CCZ por Keké. “Ele era muito gostoso. Vivia sorrindo pra mim!”, conta.



Evita quase teve um fim trágico, afinal, ela foi adotada pelo fotógrafo Analdo Oliveira em 2005 na época em que os animais ainda eram mortos no CCZ: “Tinha muitos cães em todas as baias e conforme eu ia caminhando pelos corredores todos eles grudavam nas grades e me lançavam olhares. Fui levado num local de adoção, mas só tinha três filhotes para serem adotados e eu escolhi a Evita que acabou se tornando o amor da minha vida”, conta. O CCZ publica a foto dos animais para adoção por meio do site.


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