29/10/2021 às 16h53min - Atualizada em 29/10/2021 às 16h53min

A LUTA CONTRA O LUTO INFANTIL

Foto: Divulgação Thiago Agostinis Cândido, Professor de Filosofia, especialista na área da educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Pedagogo e Psicopedagogo Clínico.
Quando falamos sobre morte, compreendemos que esse é um assunto de extrema delicadeza e muitas pessoas preferem não discutir esse assunto, quando se trata de crianças e adolescentes. No entanto, podemos perder algum ente querido, amigos ou até mesmo nosso animal de estimação que conviveu conosco. Com isso, aprendemos a difícil tarefa de lidar com a dor, para se fortalecer como pessoa humana.

No retorno às aulas presenciais, as escolas receberam alguns alunos enlutados, que sofreram e ainda sofrem com a perda de alguém querido, culpa dessa avassaladora pandemia, é claro. Segundo os estudos, mais de 45 mil crianças e adolescentes perderam os pais neste período de convivência com o vírus: são órfãos que voltaram para sala de aula sem a benção de seus pais, dor esta que reflete na escola.

Como trabalhar o luto nas escolas, dentro da sala de aula, após o retorno presencial? Refletir sobre o luto nas escolas pode ajudar os alunos a entender melhor o processo de dor e morte, ou quem ainda terá essa experiência.

Perder alguém pode atrapalhar a vida do aluno e afetar os aspectos emocionais, físicos, cognitivos e sociais, pois ele precisa se adaptar à nova rotina e se reorganizar ao romper os laços perdidos. No entanto, esse é um processo extremamente delicado, cada pessoa o conduz de forma diferente e o grau de impacto que recebem também é. Um exemplo, algumas pessoas podem superar isso mais rápido, enquanto outras podem precisar de ajuda profissional.

Nós, educadores, acreditamos naturalmente que não é nosso dever lidar com a dor no processo ensino pedagógico. Essa sensação geralmente vem do desconforto de vivenciar assuntos difíceis como esse. Porém, é importante trabalhar com o tema luto, porque é trabalhando com a dor, a tristeza, que poderemos nos tornar seres humanos mais fortes e preparados. Uma das tarefas da educação é ajudar os alunos que estão passando por essa terrível dor e prepará-los para esse embate inevitável. Os alunos não sabem lidar com possíveis perdas.

Como aponta as competências da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), a escola é um ambiente onde esse assunto deve ser acolhido de forma a proporcionar aos mesmos habilidades para lidar com a dor.

A primeira ação do educador, neste caso, é considerar o acolhimento, pois o aluno que passa pelo luto apresenta condutas características como: tristeza, culpa, raiva, fadiga, fraqueza, ansiedade, solidão, dificuldade de assistir as aulas e fazer as atividades, déficit na memória e isolamento. É muito importante que o educador leve em consideração a verdade do fato, observando e identificando o aluno, usando o lúdico para acessar a criança, uma vez que ao brincar, distancia a dor e ajuda a criança a se socializar com os demais. Trabalhar filmes e textos sobre o tema, também ajuda, fortalecendo laços e amadurecendo comportamentos. Rodas de conversas é uma ótima ideia para a criança se sentir mais amparada ao perceber que esse é um processo natural do ser humano.

Quando a escola percebe que o aluno está vivenciando a angústia do luto, ela pode acolher e fazer as intervenções acima. Para responder ativamente a esse problema, é necessário desenvolver uma cultura de solidariedade no ambiente escolar, porque é na relação com os outros que as crianças se humanizam, uma vez que o luto é um estágio e não pode permanecer por muito tempo.
Thiago Agostinis Cândido, Professor de Filosofia, especialista na área da educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Pedagogo e Psicopedagogo Clínico.
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Thiago Agostinis Cândido " O verdadeiro conhecimento vem de dentro". Sócrates

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