21/01/2022 às 19h28min - Atualizada em 21/01/2022 às 19h28min

Repercussão do caso da criança com parada cardíaca não associada à Covid chama a atenção para a real causa, a Síndrome de Wolff-Parkinson-White

Pouco conhecida, síndrome leva muitas crianças e adultos com frequência aos consultórios e emergências

Redação
Abaixo, fotos do cardiologista, especialista em arritmias Adalberto Menezes Lorga Filho realizando uma ablação no IMC, de Rio Preto
O caso da criança de 10 anos, moradora de Lencóis Paulista, no interior paulista, que, ao ter parada cardíaca associaram possibilidade de reação à vacina contra a covid jogou luz sobre uma doença congênita, pouco conhecida pela população. A Síndrome de Wolff-Parkinson-White foi a verdadeira causa da parada cardíaca, concluiu o Centro de Vigilância Epidemiológica do governo de São Paulo.

“Este caso é importante para chamar a atenção da população sobre esta síndrome pouco conhecida, mas que leva muitas crianças e adultos com frequência aos consultórios e emergências”, afirma o médico cardiologista, especialista em arritmias Adalberto Menezes Lorga Filho, do Instituto de Moléstias Cardiovasculares – IMC, de São José do Rio Preto, no interior paulista. O IMC é referência no Estado de São Paulo em diagnóstico e tratamento de doenças como a Síndrome de Wolff-Parkinson-White.

Conhecida no meio médico pela sigla WPW, esta síndrome é congênita, ou seja, a pessoa nasce com uma má formação no coração, onde há uma conexão elétrica a mais entre os seus átrios e os ventrículos. Em vez de ter apenas uma ligação elétrica com o restante do sistema de condução cardíaco para a contração do mesmo, como é o usual, tem duas ou mais ligações que se formaram durante a gestação.

Os portadores dessa doença podem ter episódios de batimentos cardíacos extremamente acelerados, as chamadas taquicardias. Elas geralmente manifestam-se após os 20 anos, no entanto, podem ocorrer já durante o primeiro ano de vida ou após os 60 anos.

O sintoma da Síndrome são crises de taquicardia e palpitações, mas alguns pacientes podem ser assintomáticos apesar de terem risco, relata Dr. Lorga Filho. “Este episódio com a criança nos faz lembrar da importância de, desde a infância, consultarmos o cardiologista. Um simples exame, como o eletrocardiograma, aponta a possibilidade de problemas no coração, como esta síndrome”, afirma o cardiologista do IMC.


Ele ressalta que há vários gatilhos que podem disparar a arritmia cardíaca, pondo em risco a vida da pessoa. Atividade física ou esportiva, emoções fortes, e uso de substâncias estimulantes são alguns destes gatilhos. “Não queremos dizer para evitar atividade física ou emoções, absolutamente. Se as pessoas consultarem o cardiologista, ao menos, uma vez por ano e, ao descobrir ser portadora de problema no coração, seguir as recomendações do médico, poderá levar uma vida normal”, pontua.

Dr. Lorga Filho lidera uma equipe no IMC de Rio Preto especializada nos tratamentos de doenças e síndromes que causam alterações elétricas do coração. O tratamento, quando necessário para a Síndrome, é feito através do procedimento chamado ablação por cateter. Neste procedimento, se elimina a conexão elétrica "extra" e o paciente fica curado, podendo ter vida normal.

O IMC é um dos centros médicos de referência neste procedimento, no qual, o cardiologista introduz, pelos vasos sanguíneos da virilha, cateteres que se comportam como um GPS para localizar o feixe elétrico extra que causa o mau funcionamento do coração. Usando a radiofrequência o médico elimina o feixe extra indesejado.
*Informações do Instituto de Moléstias Cardiovasculares – IMC, de São José do Rio Preto.

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