16/06/2021 às 17h50min - Atualizada em 16/06/2021 às 17h50min

Alunos de escola estadual indígena prestam vestibular pela primeira vez

13 Guaranis da Aldeia Boa Vista, em Ubatuba, fizeram prova da Univesp

Governo do Estado de São Paulo
Foto: Divulgação
No último domingo (13), um grupo de 13 Guaranis Mbya da Aldeia Boa Vista prestou vestibular pela primeira vez, A prova da Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo) foi realizada na cidade vizinha de Caraguatatuba. Para que os vestibulandos chegassem ao local, a Diretoria de Ensino da região providenciou transporte em parceria com a prefeitura de Ubatuba, e ainda recebeu os alunos antes da prova para entrega de kits com materiais, como lápis e borracha.

A primeira turma de ensino médio da Escola Estadual Indígena Aldeia Boa Vista se formou em 2019 e os professores, assim como a comunidade, incentivam os jovens a continuarem os estudos para que os próprios indígenas possam ser os professores do ensino médio da escola.

Adriana de Lima da Silva (Txapya, na língua guarani), foi uma das inscritas no vestibular. Ela é professora de ensino infantil na unidade, porém atua com autorização, pois ainda não possui licenciatura em Pedagogia, para qual se candidatou.

“A prova foi bem difícil, mas a gente foi lá e fez. Acho que alguém passou. Estou conferindo o gabarito e no começo fui bem, mas depois, meu bebê de oito meses que ainda estou amamentando, chorou muito do lado de fora e fiquei muito nervosa. Fui a primeira a me inscrever para o vestibular, mais para incentivar os jovens”, disse.

A escola fica dentro da aldeia que está em um parque estadual distante 30 quilômetros do centro de Ubatuba e 80 do centro de Caraguatatuba, no litoral norte paulista. São 98 alunos, com ensino bilíngue do 1º ao 9º ano e somente em português no ensino médio. A aldeia é formada por 62 famílias e 270 guaranis.

“Esta foi a primeira vez que um grupo formado na escola indígena prestou vestibular. Foi uma ação de fortalecimento do território, ouvimos as lideranças, os mais velhos, e então ajudamos com a preparação para a prova, com a inscrição, com os documentos”, explicou o professor Vitor Gama, que na véspera da prova deu aula de redação para o grupo.

O professor também destacou a importância do Projeto de Apoio à Tecnologia e Inovação (Proatec), feito pela professora Liliam Evaristo Venceslau, pois como a escola está distante do centro, a conexão com a internet é fundamental, ainda mais agora com a chance de os indígenas entrarem na Universidade Virtual.

Os vestibulandos prestaram provas para os cursos de Licenciatura em Pedagogia, Letras e Matemática e o resultado da prova deve ser divulgado no final de julho.

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