30/04/2021 às 14h35min - Atualizada em 30/04/2021 às 14h35min

8 em cada 10 postos de trabalho eliminados eram ocupados por maiores de 50 anos

Cresce desemprego em faixa etária que é principal provedora de muitos lares

Assessoria de Imprensa
Foto: Divulgação
Segundo divulgação recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de desemprego no Brasil atingiu 14,3 milhões de pessoas. A realidade pode ser ainda mais difícil para as pessoas acima de 50 anos, mesmo que tenham experiência e qualificação, como indica o levantamento feito pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados): até setembro de 2020, 438,1 mil profissionais dessa faixa etária foram demitidos, o que significa que cerca de 8 em cada 10 vagas eliminadas eram ocupadas por profissionais com mais de 50 anos.

O cenário é ainda mais delicado se considerar que a população brasileira está envelhecendo [o número de idosos com 60 anos cresceu 18% em cinco anos, conforme revela a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua] e que muitas famílias dependem da renda dos mais velhos para sobreviver. De acordo com estudo feito pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), quatro em cada dez brasileiros maiores de 60 anos são responsáveis pelo sustento de seus lares.

Para o professor de Ciências Contábeis e Administração do UniToledo, Mario Henrique Sellis Porteira, a qualificação, a falta do curso universitário e questões culturais podem ser um dos entraves na contratação de pessoas mais velhas. “As empresas geralmente esperam dos mais velhos a experiência, o conhecimento, tanto que surgem hoje cargos novos nos processos de Governança Corporativa, a exemplo de membros de um Conselho de Administração, assim como em atividades internas para treinamento dos mais jovens. Existe demanda, mas a maior parte desta população não se especializou ou deu continuidade em seus estudos.” explica a especialista em gestão empresarial.

Por isso, de acordo com o docente do UniToledo, a maioria dos desocupados (termo técnico utilizado pelo IBGE) com mais de 50 anos aproveitam sua sólida formação para atuar como consultores e se manter no mercado. Por mais que iniciativas de mudança do quadro sejam tímidas, Mario destaca que algumas empresas contam com programas específicos para esse público mas não podemos perder o “time” da graduação. “Temos uma linha do tempo natural, dos mais jovens a energia e inovação, mas estes jovens precisam estar estudando, buscando conhecimento, aproveitando a sua idade e graduando e pós-graduando no tempo certo, para quando mais velhos, terem o produto que poderão entregar, a experiência, expertise, a ser transmitida para a nova geração. Fico muito triste quando um aluno diz que vai parar seus estudos, pois ele possivelmente estará nesta terrível estatística apresentada pelo IBGE.”

Mario enumera habilidades e características de trabalhadores acima de 50 anos que podem fazer a diferença nos negócios do empregador. “O conhecimento adquirido ao longo de suas carreiras é inegável, mas o que realmente diferencia esse grupo de profissionais é a maturidade. Toda a bagagem profissional e de vida adquiridas ao longo dos anos dão a essas pessoas mais serenidade, racionalidade e flexibilidade para contornar problemas e encontrar soluções. Ademais, outro ponto extremamente importante é o comprometimento que demonstram no trabalho, o que também pode ser creditado em virtude da maturidade, mas isso só é possível, se o jovem de hoje se preparar para este futuro, investindo em suas carreiras profissionais”, ressalta.

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