29/03/2021 às 11h48min - Atualizada em 29/03/2021 às 11h48min

Doria diz que não sabia da participação americana na ButanVac: 'Entendo que é uma vacina nacional'

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O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou nesta segunda-feira (29) que não sabia da participação americana no desenvolvimento da vacina contra a Covid-19 desenvolvida no Instituto Butantã, a ButanVac. Ao anunciar o imunizante, na última sexta-feira (26), Doria ressaltou que era uma vacina "100% brasileira".

No entanto, ele não citou a Escola de Medicina Icahn do Instituto Mount Sinai, nos Estados Unidos, que participou do desenvolvimento do imunizante — a informação foi confirmada horas depois pelo próprio instituto ligado ao governo paulista. 

"Simplesmente porque eu não tinha a informação [da participação do Instituto Mount Sinai]. Mas entendo que a ButanVac é uma vacina nacional. O importante é termos uma vacina, e temos. Se parte dela é tecnologia internacional, isso é uma boa contribuição, isso é positivo", disse o governador. 

Na sexta, o Mount Sinai não foi citado durante a entrevista coletiva no Butantan para apresentar o imunizante. O governo paulista reiterou que a vacina é "100% brasileira" e faz parte de um consórcio internacional com Vietnã e Tailândia para realização dos testes.

"Esse desenvolvimento começou há um ano, exatamente no dia 27 de março do ano passado, no laboratório da área bioindustrial", afirmou Dimas Covas na ocasião. O diretor do Butantan explicou que a tecnologia usada é a mesma que a da vacina da gripe e garantiu que o imunizante será seguro. A vacina é desenvolvida em ovo embrionário.

No mesmo dia, a Escola de Medicina Icahn do Instituto Mount Sinai disse ao jornal Folha de S. Paulo que a ButanVac foi desenvolvida nos Estados Unidos. Com a descoberta, o anúncio passou a ser criticado e mal avaliado até por apoiadores.

O diretor do departamento de microbiologia, Peter Palese, informou que os testes da fase 1, que ainda nem foram iniciados no Brasil, já estão sendo conduzidos no Mount Sinai e que eles quem iniciaram os testes no Vietnã e Tailândia.

Butantan volta atrás e passa a incluir o nome do instituto
Por este motivo, o Butantan voltou atrás e passou a incluir o nome do instituto americano nos comunicados à imprensa, dizendo que usou "parte da tecnologia" desenvolvida pelo Mount Sinai para "obter o vírus" e que, no Brasil, o desenvolvedor é a organização paulista.

"O uso dessa tecnologia [importada] é livre do pagamento de royalties e pode ser feito por qualquer instituição de pesquisa em qualquer parte do mundo", justificou. "Entre as etapas feitas totalmente por técnicas desenvolvidas pelo instituto paulista, estão a multiplicação do vírus, condições de cultivo, ingredientes, adaptação aos ovos, conservação, purificação, inativação do vírus, escalonamento de doses, estudos clínicos e regulatórios, além do registro."

O pedido para a realização de testes clínicos está com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) desde a última sexta.

O que se sabe sobre a ButanVac
Na manhã da última sexta-feira (26), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, anunciaram o desenvolvimento da ButanVac, uma vacina contra a covid-19 feita 100% no Brasil.

O desenvolvimento da ButanVac começou há um ano, em 27 de março de 2020, a pretende começar a vacinar com o imunizante ainda em 2021. A tecnologia da nova vacina é a mesma usada para produção da vacina da gripe.

Em que estágio está o estudo da ButanVac?
Até o momento, foram feitos estudos pré-clínicos da vacina, ou seja, apenas em animais. Nesta sexta, o Butantan vai enviar à Anvisa o pedido de autorização para iniciar os testes em pessoas. Também serão enviados documentos referentes à vacina para a Organização Mundial da Saúde.

O objetivo é que, em abril, com a autorização da Anvisa, o Butantan possa começar a nova etapa de testes, com as fases 1 e 2.

Quem pode se voluntariar para os testes?
Segundo o Instituto Butantan, serão 1.800 voluntários nas fases 1 e 2. Na fase 3, 9 mil pessoas devem participar. A ideia é que participem cidadãos que ainda estão fora do Plano Nacional de Imunização.

“No primeiro momento, serão adultos, acima de 18 anos, e podemos abrir o voluntariado para aqueles que não estão sendo vacinados pelo Programa Nacional”, afirmou Dimas Covas.

Quando a vacina começará a ser aplicada?
Caso os planos do Butantan se concretizem, a vacina pode começar a ser aplicada em julho de 2021. Segundo Dimas Covas, a celeridade do processo é possível porque o Instituto sabe mais sobre o coronavírus do que sabia quando começou a testar e produzir a CoronaVac, por exemplo.

“O que leva a nós termos esse cronograma é a experiência adquirida, inclusive com o estudo clínico da CoronaVac”, disse Covas durante coletiva de imprensa nesta manhã. Em julho, o Butantan pretende ter 40 milhões de doses da ButanVac.

Quantas doses terá a ButanVac?
O número de doses necessárias para a imunização completa com a ButanVac só será definido após os testes clínicos da vacina. No entanto, Dimas Covas afirmou que o imunizante apresentou bons resultados imunogênicos, ou seja, boas respostas imunológicas.

Com isso, o Butantan não descarta a possibilidade de que a ButanVac será aplicada em dose única.

A vacina é só para São Paulo?
Não, a ButanVac, se autorizada, será repassada ao governo federal para que seja usada no Plano Nacional de Imunização. “São Paulo faz parte do Brasil”, disse o governador João Doria. “A opção é salvar os brasileiros.”

Além disso, o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, ainda cogitou a possibilidade de exportar a vacina, depois que o Brasil for atendido.

"Nosso compromisso é fornecer essa vacina para países de renda baixa e média. Porque é lá que nós precisamos combater a pandemia. Se o mundo rico combate porque tem recursos, e vai ficar relativamente livre do vírus, os países com renda baixa ou média, que tem dificuldades para obter recursos, vai continuar com a pandemia", explicou Covas.

Como fica a CoronaVac?
A CoronaVac continuará sendo produzida normalmente pelo Instituto Butantan. Até 30 agosto, o governo do estado de São Paulo entregará um total de 100 milhões de doses da vacina produzida em parceria com a SinoVac.

A ButanVac e a CoronaVac serão produzidas em fábricas diferentes, por isso, não haverá qualquer tipo de interferência, segundo o Butantan. “Essa vacina [ButanVac] será produzida em uma outra fábrica, não é a fábrica que está sendo reformada para produção da CoronaVac. É uma fábrica usada para a vacina da gripe, e vai começar a ser produzida em maio, logo após a campanha da gripe”, relatou Covas.

Além disso, Doria não descartou a compra de outras vacinas, de outros laboratórios.

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