29/06/2020 às 11h55min - Atualizada em 29/06/2020 às 11h55min

Aumenta a procura para exames particulares de coronavírus em Araçatuba

Na rede pública de saúde são testados apenas pacientes com sintomas mais graves da Covid-19

Marcelo Teixeira
Assessoria de Imprensa
Marcos Roberto Marcos Roberto Ferrari Machado. ( Foto: Divulgação)
Com o avanço de casos da Covid-19, aumentou a procura por laboratórios particulares para exames de coronavírus em Araçatuba (SP). A demanda tem sido maior no setor privado porque na rede pública de saúde apenas pacientes com sintomas mais graves são testados. De acordo com o bioquímico Marcos Roberto Marcos Roberto Ferrari Machado, diretor de um laboratório no Centro da cidade, atualmente estão sendo realizados por dia, em média, 35 exames RT-PCR em tempo real (a identificação precoce do vírus nas vias aéreas superiores do paciente), mais conhecido simplesmente como PCR.

"Mais de 20% de todos os exames que estamos realizando são para a detecção do novo coronavírus", revela Machado. O laboratório de análises clínicas e toxicológicas realiza diversos exames nas áreas de bioquímica, citologia, enzimologia, hematologia, micologia, microbiologia, parasitologia, teste de DNA, saúde ocupacional, sorologia, toxicologia e urinálise, entre outros.

O bioquímico conta que, no início da pandemia, o movimento no laboratório caiu significativamente, mas depois do credenciamento, a procura aumentou.

"Percebemos que o medo da Covid-19 balizou o comportamento das pessoas. Primeiro, ninguém saía de casa com receio de ser infectado, deixando de fazer todo e qualquer exame. Agora, com a disparada no avanço do novo coronavírus na cidade e na região, muita gente preocupada e está fazendo o PCR", diz Machado.

Até quinta-feira (25/06), Araçatuba havia registrado 15 mortes por Covid-19, com 569 casos positivos, 5 óbitos suspeitos e 419 exames aguardando resultados.


Como é feito o exame

O PCR permite a identificação precoce do vírus nas vias aéreas superiores do paciente, pois a carga viral costuma ser mais alta na primeira semana da doença.

A coleta pode ser feita preferencialmente, entre o terceiro e o quinto dia do início dos sintomas, podendo ser coletada até o décimo dia.

O diagnóstico auxilia na tomada de decisões relativas à saúde da pessoa infectada. "Como muitos dos sintomas da Covid-19 se assemelham a de um resfriado comum (febre, tosse seca, problemas para respirar), a melhor maneira de confirmar a infecção é por meio de um teste específico. No caso do PCR, a resposta para o paciente é agilizada, auxiliando na conduta médica apropriada, no isolamento e no tratamento do indivíduo infectado", explica o bioquímico.

Utilizado em laboratórios desde 1983, o nome completo do exame, RT-PCR, vem do inglês reverse-transcriptase polymerase chain reaction. Ele pode ser aplicado em diversas áreas da pesquisa e do diagnóstico, como detecção viral.


OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que toda a população com sinais suspeitos de Covid-19 deveria ser testada. "Caso isso fosse possível, teríamos uma melhor noção da taxa de mortalidade. Se testamos apenas casos graves, chegamos a um número irreal da doença e, consequentemente, uma mortalidade que parece ser maior", aponta o infectologista João Prats, da BP (Beneficência Portuguesa, de São Paulo). Isso porque estudos apontam que existe uma quantidade considerável de casos assintomáticos ou com sintomas leves que não serão diagnosticados.

Além disso, confirmar a presença do coronavírus (também chamado de Sars-Cov-2) em alguém ajuda a reforçar o isolamento desse indivíduo e dos indivíduos mais próximos. Isso frearia o ritmo de transmissão da Covid-19, doença provocada por esse agente infeccioso. A recomendação dos órgãos de saúde é procurar atendimento médico e realizar o exame se estiver com os sintomas agravados e sentir desconforto respiratório.
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