05/09/2019 às 11h56min - Atualizada em 05/09/2019 às 11h56min

Automação de processos e a substituição do trabalho humano

Dr. Celso Flores
Assessoria de Imprensa, Naves Coelho
Foto: Divulgação
Através da história é possível se analisar que o processo de mecanização das empresas não muda só os processos de produção, mas também o modo de vida dos cidadãos. Analisando esse contexto social, é notável a criação de uma nova classe formada por antigos camponeses e artesãos. Com o fenômeno da inovação, essas pessoas deixaram de possuir os meios de produção tendo como única alternativa de sobrevivência, a venda de sua força de trabalho para os donos das empresas. Nesse formato, a relação de trabalho se perpetua até os tempos de hoje.

Com a evolução da automação, o empresário notou que passou a ser mais vantajoso para ele substituir o trabalho humano pelo trabalho automatizado, onde se obtém melhor o desempenho e eficiência das tarefas, vindo assim a reduzir os custos de produção.

As vantagens e a confiabilidade aferida nesses equipamentos têm preocupado alguns setores da sociedade nos últimos anos. Até que ponto a automação poderia substituir o homem e gerar desemprego? Em que aspecto a sua utilização poderia beneficiar o trabalhador?

Com a Revolução Industrial as mudanças tecnológicas voltadas à produção aconteceram de forma mais acelerada. Assim como os trabalhadores artesãos, os operários manufatureiros não conseguiram competir com a grande quantidade de capital, com isso suas habilidades manuais se tornaram inúteis. Como no início o processo de automação não exigia muita qualificação, ele tornou o trabalhador mais susceptível a exploração.

A automação de processos e a substituição do trabalho humano sempre foi alvo de grandes críticas, muitos creem que existe uma ligação direta com o aumento de desemprego, pois a mecanização apesar de incrementar do produto líquido do País, pode vir a contribuir para um excedente de mão-de-obra humana. Essas críticas se tornam mais evidentes em épocas de crise, onde geralmente a taxa de desemprego é grande e consequentemente vem maior reflexão sobre os métodos de produção atuais.

Devido à globalização do mercado, a indústria que não se automatiza não se torna competitiva por vários fatores e tende a sucumbir diante de um mercado de grande concorrência. A automação é um processo irreversível e inevitável.

Nota-se também que a automação eliminou muitos empregos indesejáveis, deveras insalubres, que de alguma forma era prejudicial ao homem, como exposição à radiação, fumaça tóxica, claro/frio excessivo, dentre outros, a automação tornou acessível muitos produtos às pessoas de baixa renda, já que o uso possibilita a redução de preços para os consumidores.

Os países que mais sofrem com o nível de desemprego são os em desenvolvimento, pois grande parte de suas populações não são qualificadas, logo facilmente substituídas. Com a evolução da tecnologia o perfil profissional tornou-se mais seletivo, o trabalhador não qualificado responsável pelas tarefas repetitivas ficou para trás e facilmente substituível. O conhecimento técnico e científico para operação das máquinas aumenta de forma gradativa devido à complexidade das mesmas. Sem perspectivas de melhores condições de emprego, tendem a se sujeitar a informalidade, abrindo mão de seus direitos trabalhistas.

Em países desenvolvidos com baixa taxa de natalidade e grande população idosa, a automação é vista como uma solução, já que tornam esses países menos dependentes de mão-de-obra estrangeira.

Enfim, várias são as vertentes que venham a trazer benefícios e ou prejuízos com a automação. Mas uma coisa é certa, assim como o homem teve que se adaptar para aprender a lidar com a roda, assim será nos tempos modernos, sendo obrigado a se atualizar e rever alguns paradigmas quanto a forma de lidar com a informática nos tempos atuais.
 
Celso Flores, advogado empresarial do escritório Bastos Freire Advogados

 
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