03/09/2019 às 16h43min - Atualizada em 03/09/2019 às 16h43min

A bolsa brasileira é a bola da vez

Lucas Prado Marques
Assessoria de Imprensa, Naves Coelho
Foto: Divulgação
O ano de 2019 tem sido de recordes para o investidor brasileiro. Neste ano, registramos um milhão de investidores pessoas físicas na Bolsa (B3). Mesmo que embrionário, para nós este crescimento é apenas o começo. O total de contas cadastradas na B3 exemplifica a retomada do interesse dos brasileiros na Bolsa - um em cada cinco aplicadores é pessoa física. Isso demonstra a evolução nos quadros nacionais, já que o Brasil não alcançava tal marca há 8 anos.  

Não há como ignorar que os números atingidos possam ter alguma contestação, afinal parte dos CPFs são contabilizados de forma duplicada (um mesmo indivíduo pode ter conta em duas corretoras diferentes) e a saída do estrangeiro da Bolsa favoreceu o aumento percentual de pessoas físicas. Porém, diversos são os catalisadores que justificam e validam os recordes atingidos. 

 A queda de mais de 50% da taxa Selic nos últimos 3 anos, aliada ao excelente desempenho da Bolsa no mesmo período (saindo de 43.000, em 2016, para os 100.000 pontos atuais), criou o cenário adequado para a migração. Majoritariamente conservador e com investimentos em renda fixa, o brasileiro conseguia, na época da Selic a 14% ao ano, retornos elevados sem correr riscos significativos. Com a taxa em constante queda e chegando aos atuais 6%, alcançar o dogmático 1% ao mês não é mais possível sem aceitar arriscar um pouco mais. Sendo assim, o contexto de juros baixos e os chamativos retornos do Ibovespa contribuíram para o crescimento deste setor no país.

No entanto, o crescente número de CPFs na Bolsa traz algumas questões de importante discussão. Grande parte dos investidores entram no mercado financeiro sem ter um conhecimento base e isso acaba levando, na maioria das vezes, a decisões erradas e expectativas de curto prazo irreais. Considerando que investimentos em renda variável são - como a própria palavra diz - variáveis, investir sem fundamentação teórica pode ser muito arriscado. É importante que os brasileiros, além de fundamentar suas teses de investimento, entrem com uma perspectiva de longo prazo, apostando em empresas e não em momentos.

Outro motivo que beneficiará o crescimento dos investimentos no Brasil é a aprovação da reforma da Previdência. Tal medida ajudará a aumentar a confiança do mercado no país, uma vez que demonstra o interesse e a responsabilidade em manter as contas públicas equilibradas, diminuindo o déficit fiscal enfrentado atualmente e atraindo investidores externos, propiciando um cenário otimista para os próximos anos. 
 
Um dado interessante que ajuda a corroborar este momento da Bolsa brasileira veio na última carta mensal da JGP, uma das maiores gestoras de recursos independentes do país. Segundo eles, o saldo estrangeiro estaria positivo em R$15 bilhões até 31 de julho, se considerarmos a entrada de capital via ofertas de ações (IPO/follow-on), comprovando o ânimo do exterior com o país, apesar do cenário externo complicado.
 
Dessa forma, vemos que o campo é fértil para o brasileiro na Bolsa de Valores. Há bastante espaço para crescimento nessa área, já que apenas 0,5% da população investe na B3. Contudo, é preciso sempre buscar entender o funcionamento do mercado e alinhar as expectativas com objetivos reais para evitar frustração do investidor e uma ideia equivocada do investimento em ações.
 
Lucas Prado Marques, sócio da 3A Investimentos e Head da Renda Variável

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