14/06/2019 às 10h10min - Atualizada em 14/06/2019 às 10h10min

Sindicatos convocam greve geral para 'esvaziar' as ruas de todo o País

Paralisação está marcada para esta sexta-feira. Objetivo é protestar contra a reforma da Previdência e 'cortes de direitos' pelo governo Bolsonaro.

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Foto: Divulgação
Desta vez o objetivo não é lotar as ruas do País com manifestantes, mas “esvaziá-las”. Em protesto contra a reforma da previdência - mas também contra cortes na educação e outras partes da agenda do governo Bolsonaro -, centrais sindicais de todo o País convocaram para esta sexta-feira (14) uma greve geral.

Ferroviários, motoristas de ônibus, professores, servidores públicos, comerciários, bancários e metalúrgicos estão entre as categorias que prometem parar as suas atividades por 24 horas.

A greve, aprovada por sindicalistas no dia 1º de maio, durante o ato das centrais no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, vem depois de duas grandes manifestações contrárias ao governo Bolsonaro - centradas inicialmente na questão dos cortes na Educação - e uma a favor.  

Vagner Freitas, presidente nacional da CUT, defende que a greve geral é uma resposta à “crise política e econômica que o Brasil vive”.

Segundo ele, a prioridade não é realizar atos nas cidades, mas fazer com que os trabalhadores “cruzem os braços” para demonstrar que o “trabalhador brasileiro não está satisfeito com os cortes de direitos”.

Desde que foi aprovada a decisão pela greve, a orientação da Central Nacional foi que os sindicatos filiados fizessem uma assembleia com os trabalhadores para decidir sobre a adesão. O tamanho real da adesão, no entanto, só será visto na prática. 
 
Situação de transporte em SP ainda é incerta

Na última quarta (12), uma liminar da Justiça determinou que trens e metrôs deveriam seguir funcionando na capital paulista. De acordo com a Secretaria de Transportes Metropolitanos (SMT), a decisão provisória determinou que 100% das funcionários das linhas do metrô trabalhassem em horário de pico e 80% no restante do dia. Já nos trens metropolitanos, 100% dos servidores deveriam trabalhar em todo o horário de operação.

No boletim publicado no perfil do Twitter do metrô de São Paulo às 7h55, as linhas azul, verde e vermelha (principais no centro da cidade) estavam funcionando - mas a Folha de S. Paulo relata que operavam parcialmente. A linha prata havia sido paralisada. Os trens da CPTM, segundo o órgão, tinham “operação normal” neste horário.

Um dia antes da greve, o coordenador-geral do Sindicato dos Metroviários, Wagner Fajardo, chegou a defender que a liminar não mudaria a decisão de paralisação.

“Nós decidimos fazer greve e não podemos mudar uma decisão que a categoria já tomou. Liminar sempre tem. Estamos acostumados”, disse.

Segundo a SPTrans, os ônibus estavam operando normalmente em toda a cidade no início da manhã.

Em nota, a SMT afirmou que o objetivo da paralisação era “ideológico” e que contava com o “bom senso” dos trabalhadores para que não prejudiquem os mais de 8 milhões de usuários do transporte público.

O presidente da CUT disse que a central irá denunciar “juízes que, por solicitação de governos e patrões, tentam constranger os trabalhadores”. “Isso só demonstra o quanto a greve geral está na boca do povo e preocupando os empresários”, afirmou.

Segundo Freitas, as liminares configuram práticas antissindicais e as possíveis multas serão questionadas judicialmente em fóruns internacionais.
 
Estudantes e professores também aderem a greve

Os sindicatos de professores municipais, estaduais e particulares também aderiram ao movimento. 

Na educação superior, as atividades do setor público devem ser canceladas. De acordo com o Sindicato dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), manifestações nas ruas estão programadas para o fim do dia.

Também vão participar dos movimentos a Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), a Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico (FENET), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a União Nacional dos Estudantes (Une).

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, a orientação da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) é de não aderir à greve.

No entanto, na capital paulista, professores de ao menos 30 colégios particulares já confirmaram a adesão a paralisação. Segundo o Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP), as atividades poderão ser suspensas em um período ou especificamente para algumas séries de ensino.
 
Bancários e comerciários vão parar as atividades

De acordo com a presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, Juvandia Moreira, os bancários “vão aderir massivamente, no Brasil inteiro”.

Já Ricardo Patah, presidente da Sindicato dos Comerciários de São Paulo, também afirmou que o setor mantém a paralisação no estado.
 
Greve geral pressiona governo Bolsonaro

A greve geral dessa sexta-feira marca o terceiro ato contra o governo, após o presidente enfrentar atos de apoiadores e críticos no mês passado.

No dia 15 de maio, manifestantes em todo o País ocuparam as ruas contra os cortes na Educação. As manifestações atingiram 146 cidades em 26 estados e no Distrito Federal.

Em resposta aos protestos, o presidente chamou os manifestantes de “idiotas úteis” e de “massa de manobra”. 

No mesmo mês, grupos pró-Bolsonaro foram às ruas em 26 estados e no DF.

Impulsionados pelo próprio presidente, os manifestantes defendiam a reforma da Previdência, criticavam o centrão (composto por deputados de partidos como DEM, PP e PSD) e os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Quatro dias depois do ato de apoio, críticos do governo voltaram às ruas em mais de 80 cidades em 21 estados contra os bloqueios das verbas na Educação.

Os protestos contra os cortes aconteceram após o governo anunciar que congelaria 30% do orçamento de 3 universidades federais - UFBA, UFF e UnB.

O ministro Abraham Weintraub disse que universidades que estivessem “fazendo balbúrdia” teriam verbas reduzidas, mas mudou o discurso e afirmou que o bloqueio tinha sido “operacional, técnico e isonômico para todas as universidades e institutos”.

Após a repercussão sobre o contigenciamento, o governo explicou que o corte de 30% era “fake news” e afirmou que o ministério faria um congelamento “preventivo” de 3,5% do orçamento total das universidades federais - isso porque o bloqueio não atinge despesas de pessoal.

Se não for considerada a folha de pagamento, no entanto, o que se tem é um impacto sobre 30% do orçamento das federais.
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