14/02/2019 às 16h48min - Atualizada em 14/02/2019 às 16h48min

Cientistas de Massachusetts criaram uma pílula que substitui as injeções de insulina

Uma nova alternativa para portadores de diabetes do tipo 1 acaba de ser criada. As pílulas são do tamanho de um comprimido comum e deverão substituir as injeções de insulina.

Jeniffer Elaina
Foto: Felice Frankel/MIT
Os cientistas do MIT – Instituto de Tecnologia de Massachusetts desenvolveram uma pílula do tamanho de um comprimido comum que, ao chegar ao estômago libera a insulina, que cai na corrente sanguínea e promove o mesmo papel das injeções.

Essa criação promete melhorar muito a qualidade de vida e os gastos dos portadores de diabetes tipo 1. Os resultados dessa pesquisa foram publicados recentemente na revista Science, no último dia 8 deste mês, e são muito animadores.

Segundo o professor e membro do Instituto responsável pelo desenvolvimento do pílula, Robert Langer, “Essa descoberta trouxe muitas esperanças ao corpo de cientistas do Instituto. Essas novas cápsulas trarão muito mais qualidade de vida aos portadores de diabetes, principalmente aqueles que precisam de um tratamento diário ministrado por injeções”.

O diabetes tipo 1, geralmente causado por uma ineficiência natal, é uma doença caracterizada pela deficiência do pâncreas em produzir insulina, um hormônio responsável pela quebra das moléculas de glicose no sangue, promovendo assim energia a todo o corpo humano.

Já o diabetes tipo 2 é caracterizado pela pouca produção de insulina ou ineficiência do organismo de utilizá-la. Essa deficiência pode ser adquirida ao longo da vida, por uma alimentação inadequada, ausência de exercícios físicos e tendências genéticas.

Para o tratamento do tipo 2 é possível fazer uso de comprimidos, e um controle alimentar mais rigoroso. Já para o tratamento do diabetes tipo 1, o único tratamento para existente, até agora, são as injeções de insulina que devem ser realizadas diariamente e que, eventualmente, podem causar diferentes desconfortos.

Segundo o médico endocrinologista do hospital Sírio Libanês, Renato Zilli “um paciente portador de diabetes tipo 1 pode chegar a tomar até 7 injeções de insulina por dia, pois, a maior dificuldade que ainda existe nesse tratamento é o controle absoluto da dosagem ministrada. É fundamental que a insulina injetada seja absorvida pelo organismo e para garantir isso, muitas vezes é necessário um número maior de injeções”.

A ideia das cápsulas de insulina veio das tartarugas
O maior desafio do desenvolvimento das pílulas de insulina para os bioengenheiros responsáveis pelo projeto era criar uma maneira de que a pílula se auto-orientasse grudando na parede do estômago e inserindo a insulina diretamente na corrente sanguínea.

Afinal, se a insulina fosse apenas liberada dentro do estômago, as chances de ser absorvidas pelo organismo seriam muito menores, devido os ácidos digestivos presentes no estômago.

E a inspiração do mecanismo responsável por essa movimentação da pílula dentro do estômago veio da tartaruga-leopardo, um animal típico da África do Sul. Essa tartaruga possui um casco bem alto e íngreme, que permite a ela se apoiar e se reposicionar, rolando de costas, caso a tartaruga se encontre virada de barriga para cima.
Inspirados no casco da tartaruga-leopardo, os cientistas criaram uma cápsula, que possui dentro dela uma microagulha de insulina ligada a uma mola, capaz de se orientar dentro do estômago, chegando até a parede do órgão.

Ao chegar até a parede do órgão, sua cápsula protetora, que é feita de açúcar, é dissolvida pela água que auxiliou na ingestão do medicamento e a agulha de insulina é fixada na parede do estômago, injetando o hormônio diretamente na corrente sanguínea.

Definitivamente esse tratamento trará muitas melhorias na vida dos portadores de diabetes tipo 1. Atualmente, os melhores planos de saúde e o SUS cobrem vários tratamentos para o diabetes a base de insulina, mas ainda não existe previsões de quando a nova cápsula será liberada para o público, ou mesmo chegará ao Brasil.

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