23/10/2018 às 15h14min - Atualizada em 23/10/2018 às 15h14min

Com dólar instável, inflação dos supermercados volta a subir em setembro

Alta da moeda americana pressiona elevação de preços em categorias com matéria-prima importada. Porém, novamente, leite e hortifrútis evitam disparada do índice

Fábio Barbosa
Assessoria de Imprensa
Foto: Divulgação

O Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela Associação Paulista dos Supermercados (APAS) e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), voltou a subir depois de ter ficado estável no mês anterior.

Em setembro, a inflação foi de 0,37% no comparativo com agosto. Com este resultado, o acumulado do ano agora apresenta inflação de 3,58%.





 
“Os produtos importados e que tem matéria-prima cotada em dólar novamente voltaram a subir e começam a colocar uma pressão maior no índice como um todo.

A persistência da moeda americana em ficar em patamares acima de R$ 3,70 deixa o setor supermercadista em alerta, o que pode resultar em uma revisão da previsão do índice final de 2018 (em janeiro, a APAS previu inflação entre 3% a 4%)”, explicou o novo presidente da Associação Paulista de Supermercados, Ronaldo dos Santos.
 
Em setembro, das 28 categorias analisadas 19 tiveram aumentos no preço. No mês anterior os aumentos foram mais contidos e chegaram a 15 categorias.

Destaques de Setembro
 
O dólar continua sendo o fator que acelera os preços de diversas categorias, principalmente daquelas que dependem de commodities em seu processo de fabricação ou são importadas. As que apresentaram maior aumento e tem maior impacto no dia a dia do brasileiro são: massas (3,29%); biscoitos (1,86%); panificados (0,83%); produtos de limpeza (1,90%); produtos de higiene e beleza (1,08%).
 
“Estes são aumentos relevantes porque já foram contabilizados após o restabelecimento dos estoques. Com isso, conseguimos mensurar o que os novos patamares do dólar, concentrados acima de R$ 3,70 e chegando a R$ 4,10, podem representar nas gôndolas caso sigam persistindo em alta”, avaliou o economista da APAS, Thiago Berka.
 
Do outro lado da balança, o leite voltou a cair (4,99%) com o início da safra do segundo semestre, juntamente com tubérculos e verduras. No caso dos tubérculos, a estabilização da oferta de cebola e batata fizeram ambas caírem, respectivamente, 29% e 18%. São José do Rio Pardo obteve uma safra excelente, 15% maior que 2017 e fez os preços despencarem. O mesmo caso da batata que veio com uma safra de boa qualidade nos centros produtores.
 
“O aumento do índice geral seria muito maior do que 0,37% se não fosse o desempenho destas três categorias (leite, tubérculos e verduras)”, concluiu o economista da APAS.
 
Bebidas
 
Os preços das bebidas alcoólicas tiveram inflação de 1,34% com a cerveja aumentando 1,03% e o vinho, em grande parte importado, aumentou 4,10%. Já as bebidas não alcoólicas apresentaram inflação de 0,88%, com refrigerante (0,86%) e água mineral (2,01%) como os  destaques.
 
Informações adicionais





Nota Metodológica

O Índice de Preços dos Supermercados tem como objetivo acompanhar as variações relativas de preços praticados no setor supermercadista ao longo do tempo.

O Índice de Preços dos Supermercados é composto por 225 itens pesquisados mensalmente em 6 categorias: i) Semielaborados (Carnes Bovinas, Carnes Suínas, Aves, Pescados, Leite, Cereais); ii) Industrializados (Derivados do Leite, Derivados da Carne, Panificados, Café, Achocolatado em Pó e Chás, Adoçantes, Doces, Biscoitos e Salgadinhos, Óleos, Massas, Farinha e Féculas, Condimentos e Sopa, Enlatados e Conservas, Alimentos prontos,); iii) Produto In Natura (Frutas, Legumes, Tubérculos, Ovos, Verduras); iv) Bebidas (Bebidas Alcoólicas, Bebidas Não Alcoólicas); v) Artigos de Limpeza; vi) Artigos de Higiene e Beleza.

Assim, o IPS se apresenta como instrumento útil aos empresários do setor na tomada de decisões com relação a preços e custos dos mais diversos produtos. No que diz respeito à indústria, de maneira análoga, possibilita a tomada de decisão com relação a preços e custos dos produtos destinados aos supermercados. Ao mercado e aos consumidores é útil para a análise da variação de preços ao longo do tempo possibilitando o acompanhamento da evolução dos custos ao consumidor do setor supermercadista.
 
Sobre a APAS – A Associação Paulista de Supermercados representa o setor supermercadista no Estado de São Paulo e busca integrar toda a cadeia de abastecimento. A entidade tem 1.508 associados, que somam 3.363 lojas.
 
Sobre a APAS Regional Araçatuba: Em 2017, a região de Araçatuba foi responsável por 1,3% do faturamento do setor supermercadista no estado, o que equivale a aproximadamente R$ 1,5 bilhão. Aqui, o setor emprega, aproximadamente, 7 mil colaboradores. Só na cidade de Araçatuba o setor de supermercados faturou no ano passado R$ 453 milhões, o que equivale a cerca de 31% da região e 0,4% do faturamento de todo o estado de São Paulo.
 

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