Corpo de menina de 4 anos é exumado para investigação de morte após cirurgia para retirar amígdalas

Família de Jundiaí (SP) entrou com um processo na Justiça e denuncia negligência médica. Polícia Civil investiga causa da morte. Menina morreu três dias após a cirurgia.

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Corpo de menina de 4 anos é exumado para investigação de morte após cirurgia para retirar amígdalas
Ana Clara Vitória chegou a ser transferida para um hospital que tinha UTI pediátrica — Foto: Arquivo pessoal

O corpo de uma menina de quatro anos foi exumado após um pedido da família, em Jundiaí (SP), para investigação da causa da morte. Ana Clara Vitória morreu depois de uma cirurgia para a retirada das amígdalas. A Polícia Civil investiga o caso, após os pais alegarem negligência no atendimento médico.

A família de Ana Clara informou que a menina foi internada no dia 15 de janeiro no hospital da Unimed de Jundiaí e passou por uma cirurgia para a retirada das amígdalas e da adenoide. A previsão era que ela recebesse alta no mesmo dia, pois o procedimento é considerado simples. No entanto, a menina foi para a UTI e morreu três dias depois.

Conforme Rebeca dos Santos Grillo, mãe de Ana Clara, a filha teve dificuldades para respirar e estava com coloração arroxeada enquanto ainda estava na ala de recuperação pós-operatória.

A mãe conta que a menina foi levada de volta para o centro cirúrgico e foi intubada. Logo depois, ainda segundo a família, Ana Clara foi transferida para outro hospital que possui UTI pediátrica.

Os parentes alegam que, durante a transferência, a equipe médica utilizou um tubo menor para a intubação, porque constatou um inchaço na traqueia da menina. Ao todo, ela passou por três intubações.


Éder Henrique de Santana, pai da menina, contou que os médicos disseram ter enfrentado problemas desde a primeira intubação para a cirurgia.

"Na primeira cirurgia, eles tentaram usar o tubo de 5 mm, mas viram que a traqueia dela era pequena. Tentaram com o de 4,5 mm e, por fim, usaram o de 4 mm durante a cirurgia das amígdalas. Foi estranho terem feito três intubações no mesmo dia", explica.
A previsão era que Ana Clara fosse extubada no dia 19 de janeiro, mas ela morreu na noite anterior. No atestado de óbito, ao qual o g1 teve acesso, foram apontadas seis possíveis causas:

Insuficiência respiratória;
Hipertensão pulmonar secundária;
Broncoespasmo;
Pneumotórax;
Falhas de extubação;
Hipertrofia amigdalas e adenoide.
Ana Clara Vitória passou por uma cirurgia para retirar as amígdalas e morreu três dias depois em Jundiaí (SP) — Foto: Arquivo pessoal
Ana Clara Vitória passou por uma cirurgia para retirar as amígdalas e morreu três dias depois em Jundiaí (SP) — Foto: Arquivo pessoal

Suspeita de negligência
As últimas operações médicas feitas antes da morte da menina e a falta de conclusão no atestado de óbito levantaram a suspeita dos pais de Ana Clara. Isso porque, segundo Eder, na noite de 18 de janeiro, a filha começou a ter dificuldades para respirar, mesmo estando intubada.

A família informou que, no prontuário, consta que a médica identificou um inchaço pulmonar na menina. A equipe fez manobras de reanimação e drenagem torácica. Além disso, segundo Eder, foram administrados alguns medicamentos - entre eles, um usado para asma.

Segundo o pai, logo após receber o remédio para asma, os batimentos cardíacos da filha dispararam, e a equipe médica diminuiu a dosagem. "O procedimento de oxigenação manual causou um inchaço excessivo na minha filha. O rosto e o tórax dela ficaram parecendo um balão", diz.

Duas horas depois, Eder percebeu que a filha não estava respirando. A equipe médica tentou fazer mais uma reanimação, mas a menina não resistiu e morreu. Segundo o pai, Ana Clara não tinha nenhum histórico de problemas respiratórios nem alergias a medicações.

Família busca respostas sobre a morte de menina de quatro anos — Foto: Éder Henrique de Santana/Arquivo pessoal

"Era criança, brincava normal. A cirurgia era porque tínhamos percebido que ela tinha dificuldade de falar, aí o otorrino examinou e viu que as frequentes inflamações na garganta e dor de garganta eram por causa das amígdalas, e isso dificultava para ela aprender a ouvir e falar as palavras corretamente. Mas não era grave, era só se caso ela tomasse um sorvete às vezes já sentia dor de garganta", diz.
O caso é investigado pelo 7º DP de Jundiaí e foi registrado como morte suspeita. A família entrou com um processo na Justiça e conseguiu autorização para a exumação do corpo, que foi feita na sexta-feira (6).

O corpo da menina foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) e passará por uma perícia.

Em nota, o hospital Unimed informou que "a paciente recebeu toda a assistência técnica e médica necessária durante as etapas pré-cirúrgica, cirúrgica e pós cirúrgica, conforme os protocolos assistenciais vigentes e as boas práticas médicas".

A unidade também informou que abriu uma apuração interna e que está colaborando com a investigação policial.


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