Quando Sandy Harris chegou ao Jones Gap State Park, na Carolina do Sul (EUA), em julho, ela esperava passar o dia caminhando até cachoeiras e desfrutando da natureza. Ela não esperava salvar a vida de uma cachorra.
Depois de quase desistir devido ao calor de 32°C, algo levou Harris a seguir um pouco mais adiante na trilha. Ao virar uma curva, ela avistou uma linda pastor-alemão deitada na vegetação.
A cachorra não emitiu um som enquanto Harris se aproximava com cautela. Foi então que ela notou um ferimento na pata do animal.
Uma percepção horrível a atingiu — a cachorra não conseguia andar, e aquela parte da trilha não tinha sinal de celular. Harris não conseguiria carregar uma cachorra de 34 kg por 3,2 km de volta ao início da trilha, e estava escurecendo.
A cachorra exausta olhou para ela com grandes olhos castanhos. Harris deu à ela um pouco de comida e água e prometeu voltar de manhã.
Então, ela começou a descer a trilha íngreme e pedregosa.
Harris postou nas redes sociais para ver se alguém estava procurando por um pastor-alemão. Por meio delas, ela entrou em contato com Luci Daley, uma rastreadora voluntária de cães, e Marcy Dimmick e Holly Jones, da Labor of Love Transport Rescue, uma organização de resgate baseada em lares temporários.
Na manhã seguinte, as quatro mulheres subiram a trilha com uma maca, analgésicos e comida, esperando que a cachorra ainda estivesse vivo, à espera delas.
A cachorra, que mais tarde descobriram se chamar Koco, estava viva, mas elas a encontraram mais cedo do que esperavam.
A equipe deparou-se com Kyle Morgan e Dillon Tatum, dois caminhantes, sentados com a fofa Koco. Os homens a encontraram e se recusaram a deixá-la sozinha. Eles se revezaram carregando Koco montanha abaixo.
“Ela estava muito tímida no início e não quis comer nem beber nada que oferecemos”, Morgan contou depois a Jones. “Outros caminhantes nos ajudaram a colocá-la no meu ombro, e ela foi absolutamente perfeita… Nunca conheci uma cachorra que permitisse isso, nunca.”
A equipe de resgate imobilizou cuidadosamente a pata de Koco e lhe deu analgésicos. Jones, presidente da Labor of Love, disse ao site The Dodo que a cachorra devia estar com “dor excruciante”, dado o estado de sua pata. “Não sei por quanto tempo ela teria aguentado”, acrescentou Jones. “Ela estava esgotada.”
Apesar do desconforto, Koco foi uma guerreira. Ela permitiu com paciência que a equipe a manobrasse para a maca. Finalmente sentindo-se segura, bebeu água e olhou calmamente para frente.
“Todos a descreveram como muito calma, muito grata”, disse Jones. “Ela simplesmente parecia saber que todos estavam ali para ajudar.”
Os 3,2 km de trilha para sair do parque desafiaram a equipe com pedras, raízes e um declive íngreme. Mas a prioridade de todos era Koco.
