Com protesto pedindo justiça e homenagens, o corpo da adolescente Nicolly Fernanda Pogere, que foi assassinada em Hortolândia (SP), foi enterrado na manhã de domingo (20), no Cemitério Municipal de Mococa.
A adolescente de 15 anos estava desaparecida desde segunda (14) e foi encontrada esquartejada, na sexta (18).
O principal suspeito do feminicídio é o namorado da vítima, de 17 anos, que teria cometido o crime com a participação de outra adolescente, de 14 anos, com quem também mantinha um relacionamento. Eles foram apreendidos em Cornélio Procópio (PR) neste domingo (20).
Comoção durante enterro
Não foi realizado velório. Antes do enterro, parentes e amigos se reuniaram em um protesto pelo assassinato da jovem. Com cartazes e bexigas brancas, eles pediram por justiça e acompanharam um cortejo com o corpo de Nicolly. Também foram levados cartazes com fotos dos menores suspeitos do assassinato.
Bastante emocionada, a mãe de Nicolly, Priscila Magrin, precisou ser amparada por parentes. Ela levou uma foto da formatura do nono ano da filha e um ursinho dela. "A última foto que minha filha me mandou foi uma foto sorrindo na quinta, antes do desaparecimento. Ela me perguntou: 'mãe estou bonita?' Ela ia ver o moço", disse.
Os familiares também cantaram a música 'Um anjo do céu', de Maskavo, que a mãe cantava quando estava grávida da jovem. Antes corpo ser enterrado, eles ainda fizeram a oração do Pai Nosso.
No sábado, a mãe fez uma postagem em homenagem à filha e pediu por justiça. "A pior dor que uma mãe pode passar", escreveu.
Nicolly era conhecida por ser uma jovem educada, amorosa e dedicada aos estudos. Segundo familiares, Nicolly levava uma vida normal de adolescente, com rotina na escola e passeios com parentes e amigos. A jovem era desenhista e muito querida em Mococa.
'Requinte de crueldade'
De acordo com o padrasto de Nicolly, Felipe Espanha, os dois se conheciam desde a infância e e chegaram a estudar juntos, até a família da jovem se mudar para Mococa (SP). Eles começaram um relacionamento à distância e, no dia 29 de junho, ela foi a Hortolândia visitar o avô e encontrar o namorado.
Ela ficou dois dias na casa do suspeito e voltaria para a casa do avô no dia 14 de julho, uma segunda-feira. A família, porém, não conseguiu contato com Nicolly.
A família chegou a ligar para o rapaz, mas ele disse que teria terminado o relacionamento com Nicolly e que ela teria ido embora no dia 12 de julho. O avô registrou boletim de ocorrência.
Um cão farejador da Guarda Municipal de Hortolândia encontrou o corpo de Nicolly enquanto faziam as buscas pela vítima em um lago, no bairro Jardim Amanda I.
A Polícia Civil informou que a menina foi esquartejada. O corpo estava enrolado em dois lençóis e em uma lona azul, parcialmente na água. Segundo a GM, o pai do namorado de Nicolly reconheceu os lençóis e a lona como dele.
O corpo tinha perfurações por arma branca e, nas costas da vítima, havia uma inscrição com as iniciais "PCC". De acordo com o Dr. Regino, delegado do 2º Distrito Policial de Hortolândia, a inscrição aponta para uma "tentativa deliberada de disfarçar a motivação real do crime, simulando possível relação com organização criminosa".
O delegado também informou que, no interior dos lençóis, foram encontradas pedras usadas para manter o corpo submerso na lagoa, caracterizando esforço de ocultação do cadáver.
"Fazer um crime desse tamanho, com requinte de crueldade, aparentemente planejado, é difícil a sociedade absorver uma situação dessas", afirmou o secretário Côrrea.
A perícia foi acionada e o corpo foi levado ao Instituto Médico Legal (IML). As manchas de sangue encontradas na casa do suspeito estão sendo analisadas. O caso foi registrado como feminicídio e segue em investigação.
