24/01/2018 às 14h49min - Atualizada em 24/01/2018 às 14h49min

Vida de lutas: Campeões mirins de muay thai fazem campanha para disputar mundial na Tailândia

Yah Notícias
Foto: Reprodução
A vida de Ângelo Gabriel Macedo de Sousa é uma luta constante. Nos ringues, o carioca de 14 anos é visto por especialistas como o garoto prodígio do muay thai brasileiro e se sagrou em 2016, na Tailândia, campeão mundial da categoria Cadet (até 51 kg). Já nos bastidores, a batalha de Ângelo é por verba para seguir brilhando: o jovem luta agora para conseguir arrecadar os R$ 6 mil necessários para o custeio de sua passagem, hospedagem e alimentação para tentar subir no pódio novamente no Campeonato Mundial de Muay Thai, que será realizado de 10 a 19 de março, em Bangkok, na Tailândia. Além dele, a Associação Esportiva Will Ribeiro (AEWR), que os treina, conseguiu classificar outros três atletas para a disputa: Matheus da Silva Raimundo, 13 anos; Heryk Ferreira de Sousa, 15 anos; e Matheus Felipe, 18 anos. Moradores do Complexo do Andaraí, nenhum deles têm recursos para viajar e disputar o campeonato.

No total, a Associação Esportiva Will Ribeiro precisa de R$ 24 mil para enviar os quatro atletas e, sem parceiros ou patrocinadores, ainda não tem nada deste valor. O projeto funciona em uma sala da UPP do Andaraí e treina crianças e adolescentes do bairro para o muay thai. Atualmente, a associação conta com 190 alunos cadastrados, sendo que 57 vão regularmente aos treinamentos. O ex-campeão de boxe, taekwondo, muay thai e MMA Will Ribeiro, treinador dos quatro atletas inscritos para o Campeonato Mundial de Muay Thai, conta que, em 2016, os próprios moradores do Complexo do Andaraí fizeram uma arrecadação para que Ângelo pudesse disputar a competição.

- Este ano, por causa da crise econômica, tá todo mundo sem dinheiro. Vai ser muito difícil conseguir o dinheiro, já que o custo é de R$ 6 mil por atleta, juntando inscrição, passagem aérea, alimentação e hospedagem - explica.

Para tentar enviar Ângelo e os demais, o treinador Will Ribeiro e seu irmão, Wladimir Alves, que o ajuda na AEWR, iniciaram uma campanha de arrecadação pelas redes sociais. Ângelo falou sobre a importância de voltar à Tailândia:
- Para mim, seria mais uma conquista. Ir para a Tailândia tem todo um significado para o projeto. Não temos ajuda do governo, nem de patrocínio. Seria um feito bacana, um projeto social do Andaraí, sem nenhuma ajuda do poder, ir tão longe. O projeto tem um intuito, que é tirar as crianças da rua, fazer com que crianças esqueçam um pouco da rua, se afastando daquele mundo e conhecendo coisas melhores. Graças ao projeto fui para a Tailândia. Antes, eu nunca tinha viajado para fora do país. Graças ao projeto conheci novos ares. Na realidade da favela, a gente sempre vê muitos maus caminhos que aparecem para seguir, mas graças ao projeto nunca me desviei.

Ângelo hoje luta na categoria 58 kg. Seu cartel é de 27 lutas e apenas três derrotas. O garoto prodígio sonha, para os próximos anos, ir para o MMA:

- Treino há seis anos no projeto, levado pelo meu primo. Tenho fé que meu futuro vai dar certo. Sigo estudando na escola, na 8ª série, e quero virar um lutador de MMA. Estou treinando jiu-jitsu na (academia) Nova União e espero futuramente migrar para o MMA. Hoje em dia, o MMA está dando mais retorno.

Ângelo e seus companheiros têm pouco mais de um mês para conseguir a verba rumo à Tailândia. O treinador Will Ribeiro não perde a esperança. Mesmo porque, ele é uma história de superação. Nascido no Recife e criado no Rio de Janeiro em uma família com poucos recursos, Will, hoje com 34 anos, começou nas artes marciais muito cedo. Passou pelo taekwondo, treinou na Seleção Olímpica de boxe e descobriu o muay thai com o falecido mestre Luiz Alves, um dos introdutores da arte marcial no Brasil. Em 2003, com Luiz em seu corner, estreou no MMA e iniciou uma carreira meteórica, interrompida precocemente em 2008 por um acidente que o deixou com um lado do corpo paralisado e cego de um olho. No MMA, escreveu um cartel com 12 lutas e só duas derrotas.
 
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