19/07/2018 às 09h08min - Atualizada em 19/07/2018 às 09h08min

O Racismo dos YouTubers

Júnior Borges, especial para o AtaNews
Foto: Divulgação
Quem define o que é racismo? É uma opinião livre? Você é legítimo para dar sentenças do tipo: Ciro Gomes foi racista ao chamar Holiday de Capitão do Mato! Bruno Gagliasso não foi racista, pois já faz tempo que postou! Cocielo não foi racista, pois estava protegido pela imunidade do humor!

 Imagine a “zorra” que seria se qualquer pessoa pudesse definir um crime. Para não virar essa bagunça, assim como qualquer crime, o direito penal define ações verbais em que o sujeito as praticando materializa o crime, independente da sua opinião.

 É óbvio que somos livres para dar opiniões aqui e ali, ocorre que essas opiniões ora têm validade, ora são meros arrotos de ignorância opcional. Esta última expressão decorre da ideia de que hoje é uma opção ser ignorante em determinado assunto, uma vez que a internet nos proporciona –“de graça”- praticamente a mesma informação que um aluno de doutorado estuda. Acontece que ao invés de buscar um conteúdo de qualidade para formar sua própria convicção, o preguiçoso prefere se basear em conteúdos prontos de até 15 min. no YouTube.

 Um conteúdo de qualidade leva tempo para ser formado. Existem métodos e metodologias específicas como pesquisa de campo, muita leitura e fichamentos, estudos comparados de diversas sociedades, estatísticas etcetc. Todavia o internauta faixa branca joga tudo isso no lixo para aderir a frases de impacto elaboradas estrategicamente para colar no inconsciente dos interlocutores que as saem reproduzindo com a certeza de sua veracidade.

 O intelecto formado por um conjunto de frases como essa resulta nas sentenças superficiais do primeiro parágrafo. Tanto é assim que quando você questiona, fomentando o aprofundamento no assunto, recebe basicamente quatro respostas: (1) Simplesmente é ignorado, pois o individuo só quer falar! (2) Repetição das frases prontas como se estivesse apertando os botões do boneco BuzzLightyear (3) É atacado com as piores ofensas que um ser humano poderia receber (4) A mais incrível e controversa frase: VÁ ESTUDAR!

 Todo esse processo é consequência de um ensino básico fraco. P. ex., na escola – na maioria das vezes – o aluno aprende a somar a letra “C” com “E” e formar “CE”, assim segue até conseguir ler a palavra “certeza”, mas não aprende a importância do campo semântico dessa palavra. Basta percorrer por comentários das mais variadas redes sociais para perceber que muitos confundem o significado de “possibilidade” com “certeza” ou a expressão “não entendo” com “discordo” (O fato dele não entender sobre algo o leva a crer que ele discorda).

 Outro ponto que deveria ser intensificado nas bases escolares é a importância da compreensão de texto (veja que nem entro no mérito da interpretação). O mesmo teste empírico do parágrafo anterior nos mostra que muitos – ao ler, ver ou ouvir informações – concluem algo a mais do que foi dito, algo a menos ou até mesmo o contrário da intenção do autor.

 Portanto, concluo dizendo que a visão distorcida sobre o racismo é, entre outras coisas, consequência da falta de elementos básicos do nosso bom e velho português tão menosprezado ultimamente como um mero conjunto chato de regras gramaticais e a massa de manobra que se forma hoje de ambos os “lados” da nossa polícia é consequência de poucos que dominam a língua e surfam em grandes ondas de alienados.


 

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