Entenda como a obesidade pode reduzir em até 3 vezes as chances de engravidar

Saiba como isso ocorre e de que o maneira o tratamento adequado pode reverter essa situação

Por ANTONY OLIVEIRA
6 Min
Entenda como a obesidade pode reduzir em até 3 vezes as chances de engravidar
Antony Nelson Alves de Oliveira
A obesidade é uma doença crônica que afeta milhões de pessoas pelo mundo e resulta em diversos tipos de complicações na vida de quem sofre dessa patologia, como diabetes e hipertensão. No entanto, para as mulheres, essa condição pode causar distúrbios hormonais capazes de alterar significativamente a saúde reprodutiva, tornando cada vez mais distante o sonho de ser mãe.

Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) do Ministério da Saúde de 2023, mostram que, no Brasil, o percentual de mulheres com sobrepeso é de 33,65%. Das cinco regiões do país, a que mais tem mulheres nessas condições nutricionais é região norte com 35,72%.

Segundo a endocrinologista Rafaela Miranda, mulheres com obesidade têm até 3 vezes mais chances de apresentarem problemas de fertilidade. “Isso acontece porque o excesso de peso afeta o principal eixo que estimula ovulação, gerando ciclos menstruais mais longos, irregulares e até com a ausência de ovulação”, afirma.

Além disso, Rafaela ainda ressalta que a obesidade é um estado de inflamação crônico e “leva ao aumento na produção de radicais livres e ácidos graxos que, dentre outros prejuízos, dificultam inclusive a implantação do embrião”. Mas, fique atento, a especialista afirma que é possível reverter essa situação com o tratamento adequado.

Tratamento

Antes de buscar um tratamento efetivo, o primeiro passo, para mulheres que desejam ter filhos, é entender a relação da obesidade com a fertilidade. “A boa notícia é que pequenas perdas de peso como 5% a 10% do excesso de peso, já podem trazer grandes benefícios na fertilidade, além de promover uma gravidez saudável e com menores taxas de complicações”, explica a endocrinologista. 
Ainda que tivesse o sonho de engravidar, a estudante de publicidade e propaganda, Snara Salvador, não buscou ajuda profissional para tratar a obesidade com esta finalidade. Isso porque, segundo a estudante, ela não imaginava que o peso poderia ser um fator de risco à sua fertilidade. Ela afirma ter pesado 111kg quando iniciou o tratamento, mas, com acompanhamento endocrinológico e nutricional, Snara obteve uma mudança significativa perdendo mais de 30kg no período de 10 meses e destaca que, além dos exercícios físicos, os ajustes em sua alimentação foram extremamente desafiadores durante o tratamento.

“Antes, eu costumava sangrar por quase 10 dias, sentir cólicas muito fortes e incapacitantes ao ponto de não conseguir levantar da cama no período menstrual. Depois de emagrecer, as cólicas e dores praticamente sumiram, meu fluxo se tornou leve e passaram a durar apenas cerca de 5 dias, o que é hoje está dentro da normalidade”, destaca Snara.

Cerca de 2 meses depois de atingir o peso ideal, veio a tão sonhada gravidez. Snara afirma que estava tão focada na melhora de sua saúde que não deu tanta atenção quando a sua menstruação atrasou por 7 dias. Após 11 anos de casamento, a estudante de publicidade e propaganda e seu marido finalmente estão esperando o seu primeiro filho.

“Quando eu comecei, eu achei que ter um bebê me faria mais feliz, mas, durante a jornada, eu me percebi já sendo feliz por estar conquistando outros objetivos incríveis, que antes eram inalcançáveis pra mim. Quando o resultado positivo da gravidez chegou, foi como uma coroação depois de todo esse caminho percorrido. Então, para quem também deseja viver a experiência de gerar uma vida, eu diria que todos os sacrifícios vão valer a pena”, afirma.

A endocrinologista Rafaela conclui que para quem convive com obesidade e está enfrentando problemas de fertilidade, é fundamental recuperar um peso saudável. “Nesse sentido, é importante acompanhamento com um médico endocrinologista, que é o profissional responsável por traçar uma jornada de acompanhamento e cuidados, levando a uma perda de peso segura e sustentada para que, dessa forma, aconteça o aumento de suas taxas de fertilidade.”

Gestação

Embora mulheres obesas encontrem dificuldades para engravidar, quando isso ocorre, ainda existem chances de desenvolverem complicações como diabetes gestacional e pré-eclâmpsia. O primeiro é um tipo de diabetes que pode acontecer durante a gestação e pode levar a sérios problemas, já o segundo é uma forma de hipertensão arterial podendo ser fatal.

Além do mais, a obesidade na gravidez pode estar relacionada ao nascimento de parto prematuro, malformações congênitas, complicações no parto, nascimento de bebês com peso acima do normal, o que pode resultar em morte.

Estou acima do peso?

É possível descobrir se está com sobrepeso ou obesidade através do cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC), basta dividir o peso pela altura ao quadrado. Por exemplo: uma pessoa de 60kg e mede 1,60m, o calculo é 60 ÷ 1,60². O resultado é de 23,43. Índice considerado como peso normal, segundo a tabela de classificação de IMC abaixo:
 
IMC CLASSIFICAÇÃO
Menor que 18,5 Baixo peso
Entre 18,5 e 24,9 Peso normal
Entre 25 e 29,9 Sobrepeso
Entre 30 e 34,9 Obesidade I
Entre 35 e 39,9 Obesidade II
Acima de 40 Obesidade III

Antony Oliveira
Maré - Assessoria de Imprensa
(91) 98433-4431

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
ANTONY NELSON ALVES DE OLIVEIRA
[email protected]


  • Ir para GoogleNews
Notícias Relacionadas »