21/05/2020 às 14h56min - Atualizada em 21/05/2020 às 14h56min

A crise e suas oportunidades

Assessoria de Imprensa, Naves Coelho
Foto: Divulgação

A partir dos dados da B3, é possível observar um movimento extremamente curioso no mercado financeiro. Em meio à crise do novo coronavírus, investidores estrangeiros estão abandonando a Bolsa, enquanto o investidor pessoa física ampliou sua participação. No período que compreende janeiro a abril de 2020, foram registrados R$ 33 bilhões a mais no mercado acionário. O valor é fruto dos 558 mil CPFs que entraram no mercado financeiro nos últimos dois anos.

Além das ações, os novos investidores demonstraram grande interesse em Fundo de Investimento Imobiliário (FII) e Fundos de Índice ou Exchange Traded Fund (ETFs).

Entre as explicações mais plausíveis para este movimento, talvez esteja a queda brusca da taxa básica de juros, que alcançou patamar histórico no início de maio. Com a Selic a 3% ao ano, os investimentos em renda fixa, como poupança, CDBs com taxas pós-fixadas, títulos do Tesouro Selic, entre outros, perderam atratividade. Segundo a última reunião do COPOM, a taxa básica de juros deve cair ainda mais e intensificar esse movimento.

Neste cenário, o indivíduo que pretende continuar com o mesmo retorno de seus investimentos precisa estar disposto a correr mais riscos e, assim, recorre à Bolsa.

Essa movimentação, apesar de atípica, já era previsível para alguns analistas e profissionais do mercado, no entanto, o que torna o fenômeno singular é o número de investidores pessoa física que começaram a operar no mercado acionário. 

Esse tipo de investidor representa hoje 25% das negociações da B3 em maio, maior índice desde agosto de 2010, quando a Petrobras realizou a maior oferta de ações da Bolsa brasileira. Na época, foi registrado um total de 610 mil CPFs operando na B3 e o número foi celebrado como um recorde no mercado acionário brasileiro. Entretanto, ele se torna bem tímido quando comparado aos 2,3 milhões de investidores que operam hoje na Bolsa de valores. 

Conforme apontou o CEO e fundador da XP Investimentos, Guilherme Benchimol, em live promovida pela 3A Investimentos, as crises se apresentam como oportunidades para comprar boas empresas com boa margem de segurança em seus preços. Segundo ele, não há nada mais rentável a longo prazo do que comprar essas empresas.

Ele ressaltou também que, na conjuntura atual, é imprescindível aos empreendedores e até mesmo aos grandes empresários pensar fora da caixa no intuito de ir além dos padrões convencionais. A proposta é desafiadora e, infelizmente, será a responsável por deixar pelo meio do caminho aqueles que não souberem pensar além.

Sabe-se, contudo, que as crises não duram eternamente. Apesar de projeções com um tom mais pessimista e outras mais otimistas, a economia voltará à normalidade, o que irá se refletir no mercado de renda variável, via uma valorização no preço dos ativos.

Sendo assim, o principal cuidado que o investidor pessoa física que acabou de entrar no mercado de ações precisa ter é analisar bem o histórico da empresa onde vai investir e se certificar de que ela seja sólida. Assim, a busca por assessoria profissional se faz extremamente necessária, principalmente entre os iniciantes. Afinal, é através dos agentes que o investidor inexperiente conseguirá escolher as melhores aplicações financeiras de acordo com seu perfil. Caso contrário, ele corre o risco de, passada a crise causada pela pandemia, ficar pelo meio do caminho junto da empresa que investiu.

Thiago Penna, CEO e fundador da 3A Investimentos
 

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