Empresária acusada de tentar matar namorado em flat vai a júri popular em Ribeirão Preto, SP
Aline Fernanda de Siqueira Maschietto será julgada nesta quinta-feira (16) por crime cometido em 2022. Defesa afirma que ré agiu para se defender de tentativa de feminicídio.
Aline Fernanda de Siqueira Maschietto é investigada em Ribeirão Preto, SP, por tentativa de homicídio. Ela chegou a denunciar estupro na Espanha, mas retirou queixa. — Foto: Reprodução
A Justiça de Ribeirão Preto (SP) realiza nesta quinta-feira (16) o júri popular da empresária Aline Fernanda de Siqueira Maschietto, de 41 anos, acusada de tentar matar o namorado, um estudante de medicina, em um flat da cidade em 2022.
O julgamento, confirmado desde o início do ano, está previsto para começar às 10h, com a participação de pelo menos quatro testemunhas.
Aline responde por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil e meio que dificultou a defesa da vítima.
Segundo o Ministério Público, ela esfaqueou Diego Lima Thierbach durante uma briga por ciúmes em um flat da zona Leste da cidade, sem que ele tivesse a chance de se defender.
Advogada de defesa da empresária, Tamara Maria Bessa de Castro afirma que ela é inocente e que, na verdade, ela foi vítima de violência doméstica e agiu para se defender.
"A acusação diz que a suposta vítima, um homem de 1,90 metro, de porte atlético, atleta da universidade de medicina que ele cursava à época, não conseguiu se defender de uma mulher de 1,50 metro com 40 e poucos quilos. Aline foi presa, teve sua vida devastada, e será demonstrado na sessão plenária que ocorrerá aqui em Ribeirão Preto, que Aline foi vítima de violência doméstica, que Aline, sim, sofreu tentativa de feminicídio, que ela se defendeu e que bom que ela se defendeu", disse.
Aline chegou a ser presa em 2023, após ser extraditada da Espanha, onde morou durante as investigações do caso envolvendo o estudante de medicina. Lá, ela se envolveu em outro caso judicial, ao acusar de estupro o filho do presidente do principal órgão de Justiça da Espanha. A queixa foi posteriormente retirada.
No fim de 2024, a empresária obteve o direito a responder ao processo do estudante de medicina em liberdade no Brasil diante do cumprimento de medidas cautelares.
Briga no flat e a acusação
Segundo a denúncia do Ministério Público, Aline conheceu o estudante em 2021 por meio de um aplicativo de relacionamentos e os dois chegaram a se encontrar no mesmo ano. Em seguida, ela viajou para o México, onde morou por quatro meses.
Os dois mantiveram contato por meio de troca de mensagens e, em março de 2022, no retorno dela ao Brasil, o casal se encontrou no flat dela, na Avenida Presidente Kennedy, zona Leste de Ribeirão Preto, onde passou a noite junto.
Na tarde do dia seguinte, ainda no apartamento, segundo o MP, o estudante convidou uma garota de programa para se juntar ao casal. A mulher foi até local e ficou cerca de 15 minutos.
Ainda de acordo com a denúncia da Promotoria, depois que a garota de programa deixou o flat, Aline começou a brigar com o homem, motivada por ciúmes. Ela o agrediu fisicamente com chutes e socos e tentou golpeá-lo com facas de cozinha.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) atestou, à época, que o homem sofreu cortes nos braços. A denúncia mostrou que ele conseguiu escapar, correu para pegar as chaves do carro, o celular, e tentar deixar o apartamento, mas foi impedido.
Neste momento, segundo a promotoria de Justiça, Aline esfaqueou o rapaz nas costas e nos ombros.
Um funcionário do flat declarou à Polícia Civil que ouviu gritos vindos do apartamento e outros hóspedes começaram a reclamar do barulho. Ao chegar ao imóvel, ele disse que iria arrombar a porta e ouviu o estudante dizer: 'arromba, porque ela vai me matar'.
A testemunha contou à polícia que, ao arrombar a porta, encontrou o homem segurando Aline pelos braços, na tentativa de se defender. O funcionário também relatou que havia duas facas com sangue jogadas no chão. A segurança do prédio foi chamada e o casal foi separado.
A Polícia Militar e os bombeiros também foram chamados, mas Aline dispensou atendimento médico.
O estudante foi levado a um hospital, onde passou por cirurgia e permaneceu dez dias internado, sendo cinco deles na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Segundo a denúncia, por causa de uma infecção, o homem precisou voltar à UTI por mais quatro dias.
De acordo com a perícia, as lesões corporais sofridas foram de natureza grave, oferecendo risco de morte à vítima, bem como causaram deformidade estética permanente.
Em depoimento, Aline disse que agiu para se defender de agressões. No processo consta a foto de um celular dela que teria sido atirado no chão pelo namorado.