15/01/2018 às 09h35min - Atualizada em 15/01/2018 às 09h35min

Conheça a simbologia utilizada na restauração da Igreja Matriz

Com riqueza de detalhes, ambiente está ganhando novas formas e cores, sob a supervisão do artista Milton Vieira de Moraes Júnior

Lucas Reis, especial para o AtaNews
O pintor, artista e escultor Milton de Moraes Júnior, responsável pela coordenação dos trabalhos de revitalização. Foto: Lucas Reis
A Igreja Matriz de São João Batista em Salmourão está passando por uma reforma e restauração de todo seu ambiente interno, com o objetivo de reestruturar a estética e oferecer um visual reformulado aos frequentadores das missas e celebrações realizadas no ambiente sacro.

O trabalho de restauração está sendo desenvolvido por membros da comunidade local sob a supervisão do pintor, escultor e artista sacro Milton Vieira de Moraes Júnior, de 45 anos de idade, residente na cidade de Osasco. Em conversa com nossa equipe de reportagem, o artista explicou um pouco sobre os trabalhos e falou sobre a simbologia utilizada por ele na revitalização do ambiente.

Milton explica que foram retirados os quatro lustres que eram utilizados para iluminar a igreja, e futuramente será instalado apenas um na região central, pois as novas cores contribuem para a temática visual do ambiente. Um outro fato apontado pelo artista é diferenciar a tonalidade de luz, pois antigamente a igreja apresentava cores claras, fazendo com que o ambiente interno fosse muito semelhante ao externo.

"O ambiente interno da igreja precisa ser diferenciado, para que as pessoas ao entrarem, sintam-se num plano diferente, onde as mesmas possam se recolher com mais facilidade. O ambiente sacro deve ser percebido num plano diferente, para que os fiéis entendam que estão num outro plano espiritual.", explicou Milton.
Uma outra grande novidade foi a mudança do sacrário, onde estão concentrados os maiores traços da simbologia. O sacrário que antigamente ficava no centro do presbitério, foi retirado e recolocado ao lado direito de quem entra na Matriz. Enfeitado com faixas decorativas pintadas em três cores diferentes, sendo que, cada cor representa uma pessoa da Santíssima Trindade, representando o Deus Trino, na união do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Com uma riqueza de detalhes e um jogo de sombras, ao lado do sacrário, foram desenhados dois recipientes com incenso (incensários), para simbolizar que as orações realizadas com fé, cheguem até os céus e, assim, ganhem força diante do Altíssimo.

Ao lado da faixa, foram pintadas linhas paralelas seccionadas em duas cores diferentes, sendo que uma das cores representa Jesus em sua Divindade e a outra representa a forma humana do Messias, deixando clara a miscigenação entre a forma humana e divina do Salvador.

Questionado sobre as cores utilizadas nas paredes, Milton explica que as mesmas também tem seu significado, e os tons utilizados representam um ambiente desértico. "Escolhi essas cores, pois o Padroeiro da Paróquia é São João Batista e com isso era necessário utilizar cores que remetesse ao deserto, pois foi esse o lugar onde João Batista vivia a pregar, preparando os caminhos de Jesus.", esclareceu o artista. 

"Também gostaria de ter utilizado as cores em outras tonalidades, mas a representação ideal para o ambiente ficaria com um custo financeiro muito alto, pois existe diferenciação de preços nas tonalidades, e optamos por respeitar o dinheiro da Paróquia.", conclui Milton.

Uma outra parte da revitalização que ainda não começou a ser desenvolvida, são os enfeites que ficarão no interior de uma faixa superior que fica localizada por todas as paredes da igreja, onde serão desenhados motivos florais com gafanhotos e também abelhas, simbolizando o alimento utilizado por João Batista no deserto enquanto anunciava a chegada do Messias.

"Em minha opinião, as faixas com as abelhas e gafanhotos serão o grande destaque de todo o trabalho, pois a riqueza de detalhes deixará o ambiente com uma estética visual diferenciada." disse o artista ao ser questionado sobre o espaço mencionado.

Milton falou também da retirada das doze cabeças de anjo da parede do presbitério, que ficavam, ao lado do Cristo Crucificado e explicou que as imagens dos anjos transmitiam uma impressão de celebração festiva, bem diferente do cenário do Calvário, onde no momento da crucificação o ambiente era de extrema dor e sofrimento com a morte de Jesus. 

Ainda de acordo com o artista, até mesmo os anjos maiores, seriam retirados, mas, atendendo a vontade do pároco, Pe. Rogério, Milton optou por preservar as quatro imagens que circundam a cruz de Cristo durante sua paixão e morte. Milton afirma ainda que se tudo correr bem, a conclusão dos trabalhos ocorrerá dentro de aproximadamente três meses, com a entrega dos trabalhos sendo realizada no final do próximo mês de março.

SOBRE O ARTISTA
Milton Vieira de Moraes Júnior nasceu em Osasco, São Paulo, em 1972 e desde muito cedo, percebeu o gosto pela arte. Ainda muito jovem, passou a transitar pelo desenho, escultura, pintura, restauração de imagens e afins.

De família católica, Milton foi seminarista e viu na arte sacra uma forma de trabalhar e de evangelizar ao mesmo tempo. Despojado e de espírito jovem, o artista deixa sua marca por onde passa. Ele já trabalhou em diversas regiões do Brasil, executando pinturas de painéis, restaurando imagens e fazendo gravuras em igrejas e, no ano que vem, seguirá em missão para Moçambique, na África.
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