20/06/2022 às 09h52min - Atualizada em 20/06/2022 às 09h52min

Mudanças climáticas revelam cidade de 3.400 anos que estava embaixo d’água

O recuo do rio Tigre, no Iraque, revelou tesouros arqueólogos inestimáveis, como uma série de textos gravados em escrita cuneiforme

History
O Iraque é um dos países do mundo mais afetados pelas mudanças climáticas. O sul do país, em particular, sofre com a seca extrema há meses. Para evitar a perda das colheitas, grandes quantidades de água foram retiradas do reservatório de Mosul (o mais importante do país). Isso levou ao reaparecimento de uma antiga cidade de 3.400 anos, que havia sido submersa décadas atrás sem que os arqueólogos tivessem chance de explorá-la.

Cartas milenares
O assentamento submerso está localizado em Kemune, na região do Curdistão. Os arqueólogos acreditam que o local pode ser nada menos que a antiga cidade de Zakhiku, um importante centro do Império Mittani durante a Idade do Bronze, até que foi destruída por um terremoto 1350 a.C. Os pesquisadores sabiam a respeito das ruínas, mas o local só pode ser escavado durante períodos de seca.


Uma escavação durante a seca de 2018 já havia revelado um palácio nas ruínas da cidade. Desta vez, os pesquisadores das universidades de Tübingen e Freiburg, na Alemanha, com a ajuda do arqueólogo curdo Hasan Ahmed Qasim, conseguiram mapear grande parte do assentamento. Além disso, eles encontraram uma fortificação de muralhas e torres, um complexo industrial e um gigantesco armazém.

Os arqueólogos ficaram particularmente entusiasmados com a descoberta de cinco vasos de cerâmica que continham um arquivo de mais de 100 tabletes gravados com escrita cuneiforme. Eles datam do período assírio médio, logo após o terremoto atingir a cidade. Alguns deles, que podem ser cartas, ainda estão em seus envelopes de barro. Os pesquisadores esperam que esta descoberta forneça informações importantes sobre o fim da cidade no período Mittani e o início do domínio assírio na região. "É quase um milagre que tabletes cuneiformes feitos de argila crua tenham sobrevivido tantas décadas debaixo d'água", disse Peter Pfälzner, da Universidade de Tübingen.

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