03/05/2018 às 15h17min - Atualizada em 03/05/2018 às 15h17min

Lambida de cães não mata e ainda pode fazer bem à saúde

ANDA Agência de Notícias de Direitos Animais
Ganhar um “lambeijo” é tudo de bom | Divulgação
Vários jornais nacionais e internacionais noticiaram o caso de um homem que teria perdido parte das pernas, dedos e rosto devido a uma lambida de seu cachorro na região de um arranhão. De fato, o britânico Jaco Nel sofreu uma forte infecção denominada septicemia, mas a culpa não foi de seu cão que estava apenas demonstrando carinho ao lamber-lhe a mão.

Por conta de uma notícia irresponsável como essa, muitos cães podem estar indo parar no olho da rua. Outros devem estar apanhando toda vez que tentam brincar e lamber seus tutores e crianças como forma de expressar afeto. As pessoas foram alarmadas indevidamente.

O veterinário José Maria Fernandes Junior chegou a pensar que se tratasse de uma notícia “fake” dada a inconsistência do conteúdo: “É mais fácil pegar doenças de outros seres humanos do que de animais. Provavelmente o homem pegou de algum local no ambiente, por isso temos que ter uma boa imunidade. Muitas doenças abaixam a imunidade como AIDS, leucemia e até uma grave desnutrição ou o estresse e, nesse caso, qualquer bactéria pode causar sepse. As pessoas não morrem, por exemplo, da AIDS diretamente, mas pela queda da imunidade e infecções secundárias”.


Cena do filme Marley e Eu | Reprodução: Twentieth Century Fox
 
Mais conhecida como infecção generalizada, a sepse, septicemia ou síndrome de resposta inflamatória sistêmica (SIRS), é uma manifestação do organismo diante de uma infecção. Conforme matéria bem esclarecedora do portal Minuto Saudável, a doença tem início com uma infecção local não controlada e que provoca uma infecção sanguínea mais grave comprometendo vários ou todos os órgãos. Vale ressaltar que “a inflamação, portanto, não é uma influência da bactéria, mas sim uma maneira do organismo em se defender”.

Sabe-se que esse comportamento de defesa pode ser desencadeado por bactérias, fungos, parasitas e vírus presentes em todo lugar. Por isso, é muito difícil determinar o que exatamente provoca a reação inadequada do organismo. O que se nota é que a sepse ocorre com mais frequência em pessoas que estão com baixa imunidade seja por doenças já adquiridas, tratamentos médicos ou outra condição facilitadora. Inclusive, os animais também podem ter septicemia como assinala matéria do site Vetanimal.

Amor não mata e ainda protege a saúde

Cientistas da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, querem provar que os micróbios presentes no intestino de um cão podem ter efeitos probióticos sobre o corpo de seus tutores. “Os probióticos são como bactérias úteis por ajudarem a manter o intestino saudável e regular a digestão dos alimentos. Eles também são auxiliadores para manter o bom funcionamento do sistema imunológico. Alimentos como iogurte e suplementos podem ajudar a melhorar o nível de probióticos no corpo. A intenção dos cientistas é descobrir se um cão realmente é capaz de agir como o iogurte no corpo de uma pessoa”, diz a matéria do Daily Mail.

Outras pesquisas indicaram que os cães ajudam a reforçar as defesas do corpo de crianças reduzindo doenças como asmas e alergias. O veterinário José Maria lembra que: “Antigamente o povo acreditava que quando os cães lambiam ferimentos ocorria cicatrização. Quantos milhões de brasileiros não fizeram isso e, obviamente, nunca aconteceu nada”. Além disso, milhões de pessoas são mordidas e lambidas por seus animais de estimação com frequência. Veterinários e protetores de animais, especialmente os envolvidos em resgates, vivem mordidos e arranhados.

O que acometeu Jaco Nel foi uma grande fatalidade, não há dúvida. Uma doença que faz milhares de vítimas em todo o mundo pelos fatores já citados e outros ainda desconhecidos. Mas nesse caso, amplamente noticiado, vale ressaltar que houve duas vítimas. O britânico teve sua vida destruída e o cachorro, de nome Harvey, foi sacrificado para não “contaminar” mais pessoas, segundo relataram os jornais. Mas é preciso espalhar que carinho e amor não matam. O que mata é a falta de informação.

*Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal
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