27/04/2018 às 11h46min - Atualizada em 27/04/2018 às 11h46min

SP auxilia reeducandos e egressos a conquistarem um emprego

Programa 'Pró-Egresso' promove integração social e oportunidades por meio do intermédio da mão de obra com empresas.

Portal SP
Foto:Divulgação

Reintegrar-se à sociedade é um importante passo para reconquistar espaço no convívio social. Essa é uma das realidades de diversos egressos do Sistema Penitenciário na hora de procurar um emprego. Pensando nisso, foi criado no Estado de São Paulo o programa Pró-Egresso com objetivo de inseri-los no mercado de trabalho.

Por meio da iniciativa, eles podem encontrar oportunidades e mecanismos que visam combater o preconceito e o ócio. O programa é administrado pela Secretaria do emprego e Relações do Trabalho e é uma parceria com as Secretarias da Fazenda e da Administração Penitenciária.

“Quando vemos a vida se desfazer em questão de minutos, é preciso autoestima para seguir em frente e acreditar que dá, sim, para recomeçar. O Pró-Egresso dá confiança para que a pessoa enxergue uma segunda chance e se agarre a ela. Esse programa já mudou a vida de muitas famílias”, explica o secretário do Emprego e Relações do Trabalho, Cícero Firmino da Silva.

A ideia, dessa forma, é cada vez mais oferecer oportunidades a esse público a partir da aceitação dos empregadores. Desde 2010, o Pró-Egresso inscreveu 173,7 mil pessoas e já inseriu mais de 1,2 mil egressos.

O gerente do setor de Seguro-Desemprego da SERT, Miguel Sanchez, comenta que é necessário reaproximá-lo da sociedade por meio dessa chance de trabalho.

“É um diferencial para o Estado de São Paulo, porque existe um programa específico para pessoas que são enxergadas com certa marginalização. A condição do Pró-Egresso é arrumar empresas que já saibam da condição dessas pessoas e que estão dispostas a darem uma oportunidade”, completa.

A iniciativa, portanto, tem como público alvo egressos de regimes aberto, livramento condicional, penas alternativas, indulto e cumprimento pleno, além de reeducandos em regime semiaberto.

Um olhar diferente

A captação dos egressos fica por conta da Secretaria de Administração Penitenciária. A seleção é feita com aqueles que já passaram por um processo de reintegração social com equipes multidisciplinares da unidade prisional.

A intermediação da empresa com os candidatos, desse modo, fica por responsabilidade da pasta do Emprego e Relações do Trabalho. A supervisora do programa, Ana Camila Cáceres, conta que tanto o egresso quanto o empregador recebem auxílio do Estado.

“Nós recebemos muita demanda e, de acordo com o perfil de cada egresso, tentamos encaixar com as vagas disponíveis. Com essas oportunidades, o egresso tem menos chance de reincidência”, afirma.

Segundo ela, a ideia é amparar as entidades para que cumpram a lei estadual, que determina que empresas de serviço, portaria e obra contratem 5% de egressos. No entanto, ao longo dos anos, ela percebe que cada vez mais as instituições estão mudando a visão diante a esse público.

“Nossa finalidade é aproximar o empregador do egresso e acompanhá-los durante todo o contrato. Têm muitas empresas que admiram por conta da legislação e, no final, permitiu que esse funcionário construísse carreira ali dentro”, completa.

Juramar Penha ficou preso durante 19 anos. Em agosto do ano passado, ele saiu do cárcere e voltou para convívio social. Em pouco tempo, saiu à procura de emprego para reestruturar sua vida e, por indicação de um colega, conheceu o Pró-Egresso. Hoje, Juramar completa 5 meses de trabalho como ajudante de construção civil.

“O programa dá força para adquirir novamente os nossos valores. Com esse emprego, estou conseguindo alavancar minha vida. Voltei a estudar e pretendo continuar cada vez mais crescendo”, afirma.

Com o salário, Juramar consegue pagar o próprio aluguel e o próprio estudo. Ele também comenta sobre as dificuldades no processo de ressocialização. “Antes de tudo a pessoa tem que ter foco e objetivo nessa nova vida. A mudança tem que vir de dentro. Tem que se afastar do crime e abraçar oportunidades como esta”, completa.
 


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