24/07/2021 às 20h04min - Atualizada em 24/07/2021 às 20h04min

Terapia para câncer de fígado combate a resistência aos medicamentos

Olhar Digital
O câncer de fígado é um dos tipos de câncer que mais afetam as pessoas, principalmente na China. Um estudo com pesquisadores do Instituto do Câncer da Holanda e de Xangai descobriu que a resistência a um medicamento contra o doença pode ser evitada se for administrado em combinação com um segundo medicamento.

A chamada terapia direcionada inibe os efeitos dos erros de DNA na célula cancerosa, sendo que se tornam  resistentes a esses medicamentos. O pesquisador de câncer molecular, Rene Bernards pontuou essas rotas em células cancerosas, bloqueando todos os caminhos, através de técnicas genéticas como CRISPR/Cas.

O objetivo era saber o motivo de uma droga específica não ter efeito em um tipo de câncer, enquanto funcionava bem para melanoma envolvendo exatamente a mesma mutação de DNA. A pesquisa concluiu que combinar a primeira droga com uma segunda bloqueia esse caminho, isso leva para uma terapia combinada que prolonga a vida e agora é usada em todo o mundo.

Terapia para câncer de fígado 
Segundo Bernards e seus colegas, existe um mecanismo de resistência no câncer de fígado, como a droga lenvatinibe, que é uma das poucas drogas direcionadas no mercado para isso. O interferente acabou sendo um receptor do fator de crescimento que, como observaram os pesquisadores, é ativado nas células cancerosas do fígado assim que o medicamento é administrado, estimulando a divisão celular.

Em modelos de camundongos, os pesquisadores testemunharam precisamente os tumores que eram resistentes ao lenvatinibe desde o início. Além disso, descobriram que é possível anular essa resistência em células, bem como em camundongos, combinando lenvatinibe com outro medicamento.

O estudo de prova de conceito de fase 1 envolveu 12 pacientes que anteriormente não respondiam ao tratamento com lenvatinibe. Uma redução significativa do tumor foi observada em quatro dos doze. A coorte de pacientes está sendo expandida para trinta e depois disso, estudos clínicos maiores são necessários antes que essa terapia combinada possa ser usada na clínica.

“Este estudo mostra que é possível melhorar os medicamentos existentes combinando-os. Outra vantagem é que o gefitinibe não tem patente, o que o torna acessível”, observou Bernards. Isso porque o câncer é tão complexo e se adapta tão rapidamente, que as terapias combinadas se tornarão cada vez mais importantes.

Os farmacêuticos devem avançar para uma abordagem que envolva combinações inteligentes de drogas ao desenvolver medicamentos. O pesquisador argumentou recentemente em um artigo sobre isso e de como, novas terapias podem chegar aos pacientes mais rapidamente e que novos medicamentos promissores terão menos probabilidade de falhar durante o desenvolvimento porque não funcionam, ou não fazem o suficiente, por conta própria.
 

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