16/05/2021 às 23h39min - Atualizada em 16/05/2021 às 23h39min

Impactos da pandemia na saúde mental das mulheres

Entenda as implicações da pandemia na saúde das mulheres e como é possível melhorar a qualidade de vida em isolamento

Unimed
Uma reunião de trabalho está acontecendo no computador, no espaço de trabalho improvisado em casa. Ao fundo, os outros participantes conseguem ouvir o choro de uma criança, que eventualmente será amparada pela mãe, que está na reunião. O horário indica que está chegando a hora do almoço, mas ainda não foi possível organizar o prato do dia. A criança segue chorando, e a vida segue acontecendo. Tudo ao mesmo tempo.

Para muitas mulheres, esse cenário faz parte da rotina desenvolvida durante a pandemia no país. Os afazeres da maternidade seguiram e o trabalho doméstico não sofreu diminuição na carga horária. Pelo contrário: equilibrar a vida profissional e pessoal, junto com a casa e, por vezes, os filhos, sem contar a educação a distância das crianças, o cuidado redobrado com a higienização de tudo e a preocupação constante com a infecção pelo novo coronavírus aumentaram a carga mental das mães durante a pandemia.  

Quais são os impactos que essa carga tem na saúde mental e física das mulheres?

É possível minimizar os efeitos negativos na vida das mulheres mesmo neste contexto? Vamos abordar esses e mais tópicos a seguir.

Como o trabalho não remunerado atinge mais as mulheres


Acordar, preparar o café, organizar tudo o que precisa e ir para o trabalho. Após 8, 9 ou 10 horas, sem contar o trânsito, a jornada remunerada é substituída pela jornada em casa. Lavar, cozinhar, organizar e várias outras tarefas tornam as novas diretrizes da noite. Esse terceiro, quarto e até quinto turno é considerado parte do trabalho não remunerado desempenhado pelas mulheres.

A pandemia liberou o tempo perdido em trânsito para as mães que passaram a trabalhar remotamente, mas multiplicou o tempo em casa. De acordo com um levantamento do IBGE realizado em 2019, as mulheres dedicam quase o dobro do tempo na realização de atividades domésticas e cuidados com filhos e outras pessoas do que os homens.

Sintomas como ansiedade, depressão e estresse se tornaram mais comuns em mulheres do que em homens durante a pandemia. Outro estudo, realizado pela Universidade de São Paulo (USP,) mostra que as mulheres apresentam maior sofrimento psíquico e emocional, por conta das condições sociais em que vivem – jornadas de trabalho e cuidados em casa, educação dos filhos e manutenção da família.

Todos esses fatores, incluindo a própria pandemia da COVID-19, acabam gerando um aumento na carga mental das mulheres, que pode até ser invisível para os que estão de fora, mas causa grande sofrimento para quem experimenta. Não apenas mental, mas físico, também.

Efeitos do isolamento social na saúde


O cenário de isolamento social afeta vários aspectos de saúde das pessoas em geral. Com as questões sociais e culturais que vimos anteriormente, esse peso acaba recaindo mais sobre as mulheres, podendo representar um risco maior para a saúde delas.

O medo de sair de casa e o distanciamento social também contribuem para um “relaxamento” nas consultas e exames preventivos das mulheres. A melhor maneira de prevenção para câncer de colo de útero e mama é a manutenção dos exames preventivos, como o Papanicolau, e deve ser agendado normalmente, de acordo com a periodicidade para cada faixa etária. Lembrando que o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura.

Com mais tempo em casa e menos saídas, inclusive para fazer as compras de mercado, torna-se difícil manter uma vida ativa. O sedentarismo tem como consequência o aumento de peso corporal, que afeta negativamente várias questões de saúde. Nas mulheres, outros fatores de risco tornam esse ganho de peso mais perigoso, como para as que estão em recuperação de câncer de mama.

Uma pesquisa recente desenvolvida com pacientes em recuperação de câncer de mama mostrou que a falta de exercício físico acarretou em uma piora na saúde geral, incluindo piora nos sintomas de COVID-19 (para as que contraíram o vírus e desenvolveram a doença).

Estar distante de outras pessoas também influencia no aumento de sintomas de ansiedade, estresse e depressão. Mulheres que são mães, por exemplo, apresentam altos níveis de estresse por conta do convívio diário em reclusão, o que impacta também na saúde dos filhos, que sentem o nervosismo da mãe.

Por isso, a internet se tornou uma grande aliada na manutenção das relações interpessoais. Existem diversos grupos de apoio em redes sociais que promovem encontros virtuais para troca de experiências, sobre maternidade, trabalho, saúde e outros tópicos.

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