09/04/2021 às 18h05min - Atualizada em 12/04/2021 às 00h00min

A vida é a arte do encontro

(*) Sandra Morais Ribeiro dos Santos

SALA DA NOTÍCIA NQM
Shutterstock

“A vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.” Baden Powell e Vinicius de Morais, na música “Samba da Bênção”, já cantavam uma verdade extraordinária que, por vezes, acabamos nos esquecendo em nosso dia-a-dia: viver é um encanto, é alegria e tristeza, é riso e choro, e perdão. Mais do que viver, precisamos aprender a conviver e não desperdiçar momentos preciosos, mas educar o olhar para ver as belezas da vida e das amizades, pois no final, é isso que importa e nos resta.  

Vivemos um emaranhado social maravilhoso, de inter-relações, de diversidades e oportunidades únicas de aprendizagem desde nosso nascimento até a morte. Ver com humildade e empatia essas oportunidades de relacionamentos enriquece nossa alma, melhora nossa essência. Isso implica em valorizar verdadeiramente as pessoas, os amigos e irmãos que a vida nos dá continuamente.  

Todo mundo tem seu valor, e se deixar levar pelas aparências nos tiram o real significado da vida, das amizades e das pessoas. Já encontrei grandes amizades nos lugares e pessoas mais inesperados. Como cita o ditado popular: não devemos julgar ninguém pelos seus sapatos ou um livro pela capa.  

Infelizmente tendemos inicialmente a observar os aspectos negativos das pessoas ou circunstâncias. Mesmo que digamos que não somos assim, essa é uma disposição natural de todo ser-humano.  O que nos chama por vezes a atenção não são as boas coisas, mas sim as más, aquilo que nos desagrada.  

Rubem Alves é sábio ao fazer a afirmação de que precisamos urgentemente educar nosso olhar para as coisas boas do mundo. Ouso acrescentar que mais do que olhar para coisas, precisamos educar nosso olhar para as pessoas. Fazer esse exercício nos conduz a harmonia nos relacionamentos. Estamos continuamente em processo de aprendizagem emocional, e passo a passo, precisamos aprender a valorizar os outros pelas suas qualidades e não apenas focar nos aspectos que não nos agradam, mesmo porque não somos também perfeitos, e temos vários aspectos que também podem desagradar outras pessoas. Como então queremos exigir uma perfeição que nós mesmos não possuímos?  

Quando focamos nos pontos negativos a tendência é a negatividade e a tensão nos relacionamentos. Em contrapartida, quando procuramos as qualidades, o que é positivo, bom e notável em cada ser humano, a tendência é que os relacionamentos floresçam e se fortaleçam. E é nesse segundo ambiente que nascem as grandes conquistas, os grandes resultados e progressos. É fácil procurar defeitos, isso qualquer pessoa pode fazer. Mas encontrar qualidades? Isso é para espíritos superiores. Nem todos conseguem, pois exige esforço em direção ao diferente, altruísmo, abnegação, humildade, empatia.  

Para que isso ocorra é preciso reconhecer aquilo que nos une, e ver em cada ser humano a sua dignidade, em igualdade de condições. É respeitar o outro como ele é, compreendendo que cada um tem seu tempo e capacidades, e algo a nos ensinar e a acrescentar. Ver no diálogo o caminho, tirar o “eu” da cena e substituir pelos “nós” - nosso projeto, nossa conquista, nossa vitória. É elogiar em público, mas corrigir no particular, sem humilhar.  

Sem essas atribuições, ligadas a um espírito de cooperação e de flexibilidade, não podemos integrar-nos socialmente e trabalhar de forma colaborativa e de maneira efetiva.  

É meu amigo, numa época de relacionamentos líquidos, realmente construir relacionamentos saudáveis e duráveis é algo desafiador. Não é coisa para amadores. Exige esforços diários, e a vontade de ultrapassar abismos e muros para que pontes possam ser construídas e laços fraternais edificados e fortalecidos.  

(*) Ms. Sandra Morais Ribeiro dos Santos é professora da área de Humanidades da Escola Superior de Educação do Centro Universitário Internacional Uninter.  

 


Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »