23/12/2020 às 16h11min - Atualizada em 23/12/2020 às 16h11min

Cirurgia plástica não serve para reforçar padrões de beleza inalcançáveis

Assessoria de Imprensa
Foto: Divulgação

O senso comum acredita que a cirurgia plástica sempre esteve associada à estética, vaidade ou até mesmo à futilidade, conforme argumentam alguns. Entretanto, essa associação é incorreta e completamente equivocada. O que se conhece como plástica surgiu em meados do século VI, mais precisamente, onde hoje está a Índia. Os textos sânscritos desse período já relatavam o uso da pele da testa para reconstrução de narizes danificados.

Os procedimentos, contudo, só foram aperfeiçoados a partir da Primeira Guerra, em 1914, e da Segunda Guerra Mundial, em 1939. Diante de ferimentos nunca vistos antes, o cirurgião Harold Gilles - considerado o pai da cirurgia plástica - passou a fazer enxertos de tecidos nos soldados.

Somente com o tempo e a evolução da medicina foi que essa intervenção passou a ser usada também para fins estéticos, abrindo novos campos e oportunidades para quem trabalha na área.

O Brasil lidera o ranking mundial das cirurgias plásticas. O levantamento mais recente, divulgado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), em dezembro de 2019, apontou que ao longo do ano anterior ocorreram mais de 1.498.000 cirurgias e cerca de 969 mil procedimentos estéticos não-cirúrgicos. Os mais procurados foram o aumento mamário com prótese de silicone, lipoaspiração e a abdominoplastia.

Vale alertar que existe um outro dado muito interessante e pertinente no levantamento da SBCP. O documento afirma que das cirurgias feitas ao longo do ano, 40% (o equivalente a cerca de 599.200 intervenções) tiveram foco reparador nas deformidades traumáticas.

Os casos de reparação em lábios leporinos, enxertos de pele devido a lesões graves, aplicação de botox em quem perdeu a movimentação da musculatura facial e a reconstrução dos lábios de pessoas acometidas pelo carcinoma de células escamosas são alguns dos exemplos sobre como a plástica devolve a autoestima a quem sofre com alguma doença que deixa como sequelas diversas deformidades no corpo.

Todos esses casos refutam o argumento leviano que os procedimentos cirúrgicos dão munição para indivíduos vaidosos se preocuparem cada vez mais com a estética e reforçarem, assim, um padrão de beleza já estabelecido e que  é praticamente inalcançável.

O conhecimento e a elucidação dos fatos são a melhor maneira de combater a desinformação. Logo, torna-se evidente, diante de tantos casos bem sucedidos de procedimentos reparadores, que os profissionais em cirurgia plástica, assim como todos os que trabalham na área da saúde, estão muito mais empenhados na promoção de melhor qualidade de vida e bem-estar social que somente como especialistas em vaidade.
 

*** Pedro Henrique Oliveira - cirurgião plástico do Hospital Madre Teresa e membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

 

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