14/12/2020 às 14h22min - Atualizada em 15/12/2020 às 14h36min

Indústria esportiva só tem a ganhar com a digitalização

*Por José Pedro Mello

SALA DA NOTÍCIA Camila Cechinel
Assim como aconteceu em outros setores da economia, a indústria esportiva não passou ilesa da crise do coronavírus. Com as competições sofrendo suspensão, cancelamento ou adiamento, como os Jogos Olímpicos de Tóquio que ficaram para julho de 2021, as perdas financeiras são incalculáveis. A paralização dos campeonatos afetou em cheio o futebol no Brasil, modalidade cuja receita é estimada em mais de R$ 6,5 bilhões, segundo a Sports Value, empresa especializada em marketing esportivo. Vale dizer que os 20 maiores clubes respondem por quase 90% desse montante, com patrocínios e direitos televisivos.

Em 2020 perdemos os eventos ao vivo, o que afetou, indiretamente, setores como varejo, com vendas de camisas e itens esportivos, infraestrutura, alimentação e bebidas, por exemplo. Afinal, quem está acostumado a frequentar estádios muitas vezes utilizam transportes coletivos e frequentam bares e restaurantes próximos ao local da partida. Com o clima cabisbaixo e a ausência de uma previsão para as coisas voltarem ao normal, marcas também desfizeram contratos e se posicionaram de forma incerta sobre renegociação de patrocínio quando a pandemia passar. O cenário é desanimador e os desafios são bem delicados.

No entanto, se me pedissem para exemplificar a maior conquista que tivemos, diria que foi a transformação digital no setor, que veio para acelerar processos e reforçar a importância das tecnologias. Afinal, plataformas digitais que estimulam o relacionamento entre profissionais de diversas áreas do esporte com clubes, faculdades e confederações saíram do stand-by e passaram a ser o principal ponto de encontro de toda a cadeira. A Atletas Now teve um aumento de 1.530% no número de profissionais especializados em esporte e encerra 2020 com 50 mil usuários cadastrados - o dobro da meta inicialmente prevista para o ano.

Acredito que todos os envolvidos no ecossistema esportivo têm grandes lições para tirar da pandemia. Se de um lado os desportistas estão aprendendo a utilizar canais de comunicação online para divulgar a sua imagem profissional e mostrar o valor que podem agregar para as marcas, do outro as empresas estão tendo a oportunidade de enxergar que às vezes é mais fácil ter no portfólio atletas que se comuniquem bem em seu nicho de atuação – e que de fato precisem de um apoio - do que fazer um super investimento em alguma entidade e não ter o retorno esperado. Assim, ninguém sai perdendo. 

Que 2021 nos traga esperança e que as instituições esportivas abracem a evolução por meio da inovação. Ao mesmo tempo que temos diversas carências no segmento, existem lideranças com soluções tecnológicas capazes de impulsionar o crescimento do esporte no Brasil. Desejo que venham empreendedores com ideias novas também, porque só seremos capazes de fazer a diferença se estivermos caminhando na mesma direção. É hora de tirar os planos do papel, porque precisamos encontrar um jeito de continuar fazendo as mesmas coisas de antes, ainda que de forma diferente, para nos sentirmos vivos.

*José Pedro Mello é CEO da Atletas Now, Sports Tech que por meio de uma plataforma digital conecta atletas e profissionais de esporte a oportunidades e players do setor.
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