30/11/2020 às 14h22min - Atualizada em 30/11/2020 às 14h22min

Moro é contratado como sócio-diretor de empresa que atua junto à Odebrecht

Ex Juiz Federal

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O ex-ministro da Justiça Sergio Moro foi anunciado como sócio-diretor da consultoria norte-americana de gestão de empresas Alvarez & Marsal. O ex-juiz da Lava Jato vai atuar na sede da empresa em São Paulo, na área de “Disputas e Investigações”.

A consultoria atua como administradora judicial do Grupo Odebrecht, uma das empreiteiras investigadas pela força-tarefa da Lava Jato.

A empresa informou que "Moro é especialista em liderar investigações anticorrupção complexas e de alto perfil, crimes de colarinho branco, lavagem de dinheiro e crime organizado, bem como aconselhar clientes sobre estratégia e conformidade regulatória proativa”.

A nota divulgada pela consultoria em seu site destaca ainda que ele atuou como juiz federal por mais de 20 anos e citou a Lava Jato, que classificou como “maior iniciativa de combate à corrupção e lavagem de dinheiro da história do Brasil”.

"A Lava Jato gerou uma onda anticorrupção não só no Brasil, mas em toda a América Latina. Tanto como ministro quanto como juiz federal, Moro colaborou com autoridades de países da América Latina, América do Norte e Europa na investigação de casos criminais internacionais relacionados a suborno, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e crime organizado", 

Sergio Moro defendeu sua contratação e disse que aceitou o cargo para “ajudar as empresas a fazer coisa certa, com políticas de integridade e anticorrupção".

“Não é advocacia, nem atuarei em casos de potencial conflito de interesses", afirmou.
 
O ex-ministro da Justiça deixou o governo de Jair Bolsonaro em abril após acusar o presidente de interferência política na Polícia Federal.


CURITIBA, PR A empresa de consultoria global de gestão de empresas Alvarez & Marsal, administradora judicial do processo de recuperação do Grupo Odebrecht, anunciou a contratação do ex-ministro da Justiça Sergio Moro como sócio-diretor para atuar na área de disputas e investigações. O anúncio da contratação foi feito por meio do site da empresa e, segundo a divulgação, "está alinhada com o compromisso estratégico de desenvolver soluções para as complexas questões de disputas e investigações, oferecendo aos clientes da consultoria e seus próprios consultores a expertise de um ex-funcionário do governo brasileiro". Moro é apresentado pela consultoria como um especialista em liderar investigações anticorrupção complexas, crimes de colarinho branco, lavagem de dinheiro e crime organizado. A apresentação destaca a atuação do ex-juiz na Operação Lava Jato.
 
"Tanto como ministro quanto como juiz federal, Moro colaborou com autoridades de países da América Latina, América do Norte e Europa na investigação de casos criminais internacionais relacionados a suborno, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e crime organizado",

Uma das empresas investigadas é a Odebrecht, que assinou um acordo bilionário para cooperar com as investigações a partir de 2016. Nesta segunda-feira (30), Moro destacou a contratação e disse que não há conflitos de interesse na atuação, já que não vai atuar na advocacia.

"Ingresso nos quadros da renomada empresa de consultoria internacional Alvarez&Marsal para ajudar as empresas a fazer coisa certa, com políticas de integridade e anticorrupção. Não é advocacia, nem atuarei em casos de potencial conflito de interesses", escreveu. Via assessoria, a empresa explicou que o papel de administrador judicial, como o que exerce em relação à Odebrecht, não envolve o processo ao qual a empresa foi submetida, mas a fiscalização, acompanhamento de prazo e ações, funcionando como "olho" do juiz para garantir que a recuperação judicial está sendo conduzido de forma correta. Destacou também que a empresa possui sete diferentes áreas de atuação, entre elas a de administração judicial, mas que Moro atuará especificamente nas disputas societárias e financeiras em diversos segmentos e projetos de empresas que precisam estruturar processos, sistemas e governança de forma a prevenir fraudes.

O ex-ministro fará parte de uma equipe que já conta com vários outros ex-funcionários de governos, como Steve Spiegelhalter (ex-promotor do Departamento de Justiça dos EUA), Bill Waldie (agente especial aposentado do FBI), Anita Alvarez (ex-procuradora do estado de Cook County, Chicago) e Robert DeCicco (ex-funcionário civil da Agência de Segurança Nacional).

"A experiência de Sergio como ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil, somado à sua extensa bagagem anticorrupção, crime do colarinho branco e lavagem de dinheiro, contribuirá para solucionar os problemas dos clientes", disse Steve Spiegelhalter, sócio-diretor da consultoria. Enquanto juiz federal em Curitiba, em junho de 2015, Moro ordenou a prisão do ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, em uma das fases da Lava Jato.

Em março do ano seguinte, também condenou Marcelo a 19 anos e quatro meses por crimes como corrupção e organização criminosa e outros quatro executivos. Na sentença, o juiz considerou que Marcelo repassou R$ 109 milhões e U$ 35 milhões em propina a agentes da Petrobras. "O comportamento adotado pela Odebrecht e por seu Presidente Marcelo Bahia Odebrecht não é consistente com o que seria esperado da empresa e de executivo que de fato não tivessem responsabilidade pelas contas secretas no exterior e com o pagamento através delas de propinas.

O comportamento esperado seria o de reconhecer a falta e identificar dentro da corporação os executivos individualmente responsáveis por comprometer o nome e a reputação da companhia", escreveu em um trecho da sentença. Meses mais tarde, em maio, por falta de provas, o magistrado rejeitou outra denúncia contra Marcelo, acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de pagar propina para evitar a convocação na CPI da Petrobras. Já em dezembro, Odebrecht fechou acordo de colaboração com o Procuradoria-Geral da República. Um ano depois, em dezembro de 2017, após dois anos e meio na prisão, o empresário saiu da cadeia e passou a cumprir a pena de prisão domiciliar. Em setembro do ano passado, ele foi beneficiado com a progressão de regime e, atualmente, não cumpre mais prisão domiciliar. 
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