18/11/2020 às 10h39min - Atualizada em 18/11/2020 às 10h39min

Produção artesanal de cachaça é opção viável em regiões sucroalcooleiras

Em curso gratuito promovido pelo SIRAN e Senar-SP, produtores rurais aprendem em Araçatuba (SP) a fazer a segunda bebida alcoólica mais consumida no Brasil

Marcelo Teixeira
Assessoria de Imprensa
Foto: Divulgação
"Tendo em vista a quantidade de cana-de-açúcar no Noroeste Paulista, assim como o fato de a cachaça ser a segunda bebida alcoólica mais consumida do Brasil – a primeira é a cerveja –, este curso é muito interessante para diversificar as atividades do produtor rural e para agregar valor ao produto". A afirmação é do instrutor Celso Sutti, que ministrou o curso Produção de Cachaça, em Araçatuba (SP). Dividida em dois módulos, sendo o primeiro sobre legislação, com 16 horas/aula, divididos em dois dias, e o segundo sobre a produção propriamente dita, com 24 horas/aula, divididas em três dias, a ação contou com a participação de 10 produtores rurais.




O curso é completo, apresentando o passo a passo de todo o processo para a produção da bebida. Nas aulas teóricas e práticas, m os participantes aprendem sobre a recepção da matéria-prima até a obtenção do produto final. Há disponibilização de conteúdo que aborda desde a moagem da cana e à medição do teor de açúcar, até inoculação da levedura, fermentação, destilação, envaze e armazenamento.

O processamento artesanal de cachaça é bastante valorizando pelos apreciadores da bebida. E o instrutor complementa: "O curso também é relevante junto aos formadores de opinião, em relação à qualidade da cachaça. Isso porque os participantes saem daqui com a capacidade de identificar e avaliar corretamente o produto". Segundo Sutti, o envelhecimento da bebida é uma prática de coloração, sabores e aromas diferenciados. Para isso, são utilizados barris de madeiras, que possibilitam a caracterização da cachaça envelhecida, permitem elaboração de blends e aumentam a complexidade aromática da bebida.

Por causa da pandemia de Covid-19, são seguidas as orientações das autoridades de saúde, com o uso de máscaras, álcool em gel à disposição, materiais de estudo desinfetados, e distanciamento. Os participantes recebem gratuitamente material didático e certificado de conclusão.

Mercado

De acordo com o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) existem no Brasil cerca de 40 mil produtores e 4 mil marcas de cachaça no alocadas, principalmente, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Minas Gerais e Paraíba.

"Para aqueles que já estão posicionados com sua marca dentro do mercado de cachaça, é um bom momento para apostar na diversificação do negócio como uma maneira de aumentar o faturamento. Isso tem acontecido com parte dos fabricantes e tem proporcionado ao consumidor uma melhor experiência com os produtos do segmento", conta Alexandre Bertin, presidente da Confraria Paulista da Cachaça.


Sobre a cachaça

A cachaça é reconhecida como bebida tipicamente brasileira, se tornou aposta do setor de destilados. Segundo dados da PBDAC (Programa de Desenvolvimento de Aguardente de Cana, Caninha ou Cachaça), o Brasil movimenta cerca de R$ 1 bilhão na comercialização de 1,3 bilhão de litros por ano. Com todo esse potencial, produzir cachaça ou aguardente, principalmente de maneira artesanal, é uma maneira de investir num negócio com grandes possibilidades de crescimento.

A cachaça é produzida do caldo de cana fresco (garapa) o que resulta em uma composição química própria e traz distintas propriedades sensoriais. Ao cozinhar o caldo da cana as substâncias presentes no produto, como os aldeídos, ésteres e o álcool superior, são alterados modificando o sabor sensorial da bebida no paladar.

Antes estigmatizada, a bebida assumiu o status de produto sofisticado, graças a investimentos em marketing e na diversificação da produção. Devido à expansão mercadológica, a cachaça pode ser encontrada nos mais diversos tipos de bares, restaurantes, hotéis e casas noturnas de todo o país. "O caráter sofisticado tem que começar no processo de produção e pode ir até as embalagens com modelos diferenciados e rótulos desenvolvidos por empresas especializadas do setor", conta o presidente da CPC.
 
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