01/10/2020 às 10h06min - Atualizada em 01/10/2020 às 10h06min

Radiação na Lua é até 200 vezes maior do que na Terra

TecMundo
Os humanos já têm data para voltar à Lua: 2024. A missão Artemis, da NASA, irá levar pessoas ao satélite natural da Terra após mais de 50 anos de espera, pois os últimos a pisarem em solo lunar foram os astronautas da Apollo 17, em 1972. A futura viagem deve ser histórica, já que deve levar a primeira mulher à Lua. E uma curiosidade foi revelada recentemente: os próximos caminhantes lunares deverão enfrentar uma radiação 200 vezes maior do que a da Terra.

Os primeiros tripulantes a visitar o satélite estavam equipados com dosímetros para medir a radiação da Lua, mas esses dados nunca foram divulgados. Várias décadas se passaram até que novas medições fossem feitas, desta vez pelo programa espacial chinês, que pousou a espaçonave Chang'e 4 no lado escuro da Lua em 2019 e recentemente revelou os resultados. 

A equipe da China mediu 1.369 microsieverts de radiação na Lua, algo que corresponde a 200 vezes o encontrado na superfície da Terra. Isso também é o equivalente entre 5 e 10 vezes à quantidade de radiação de um voo entre Nova York (EUA) e Frankfurt (Alemanha), porém os voos entre as cidades duram bem menos do que uma viagem espacial, tornando necessário estudar os impactos dessa exposição.

Astronauta Harrison Schmitt, da Apollo 17, na última missão tripulada à Lua, em 1972.

Astronauta Harrison Schmitt, da Apollo 17, na última missão tripulada à Lua, em 1972.



A atmosfera da Terra ajuda na proteção de diversas fontes de radiação, algo que não acontece na Lua. O satélite recebe raios cósmicos galácticos e partículas solares (ainda que esporadicamente), além de produzir nêutrons e raios gama com a interação entre a radiação espacial e o solo lunar.

A radiação é descrita como um dos cinco perigos do voo espacial ao ser humano, sendo considerada a mais ameaçadora, que pode desenvolver catarata, diversos tipos de câncer e até doenças degenerativas do sistema nervoso central. Felizmente, os níveis medidos parecem seguros para a duração de uma viagem à Lua, entretanto os dados mostram a importância de proteger os astronautas em expedições mais longas, principalmente as que pretendem levá-los a Marte, em uma viagem, por enquanto, sem volta e com alta exposição radioativa.
 

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