17/09/2020 às 14h29min - Atualizada em 17/09/2020 às 14h29min

Santa Casa de Araçatuba recebe doação de máscaras de mergulho adaptadas por ONG para ventilação não-invasiva de pacientes de covid-19

Santa Casa de Araçatuba
Foto: Divulgação
A Santa Casa de Araçatuba recebeu doação de 30 máscaras de mergulho adaptadas para uso em ventilação não-invasiva (VNI) por pacientes internados em leitos de isolamento reduzindo a necessidade de intubação e de ventilação mecânica e dos riscos relativos a esses processos, como lesão de tecidos da traqueia e do pulmão do paciente respectivamente, e também o risco de contaminação dos profissionais da saúde que é altíssimo durante o processo de intubação do paciente.

As máscaras podem ser utilizadas em enfermarias, visto que filtra o ar que é expirado pelo paciente, o que gera menos risco de transmissão do vírus para profissionais de saúde e que o escape de ar lateral é mínimo, evitando assim contaminação do ambiente.

Os equipamentos foram doados pelo Motirõ, grupo voluntário que reúne profissionais de diversas áreas, entre engenheiros, médicos, fisioterapeutas, advogados, etc., que atua em Bauru, Botucatu, Campinas, Itapeva, São José dos Campos e São Paulo com soluções técnicas de baixo custo e alto impacto para oferecê-las gratuitamente para o tratamento da Covid-19.

O Motirõ recebeu as máscaras da Associação Expedicionários da Saúde (EDS), organização não governamental formada por médicos da cidade de Campinas, que atua desde 2004 em missões humanitárias de atendimento médico especializado, principalmente cirúrgico, junto às populações geograficamente isoladas, com ênfase aos povos indígenas, da região amazônica. As máscaras foram doadas à EDS pela empresa francesa Decathlon, com a condição que fossem utilizadas apenas no SUS.

Desde abril, a EDS incluiu a Missão COVID-19, operação logística voluntária que atua para oferecer apoio à melhoria das condições médicas e hospitalares no enfrentamento ao coronavírus através de três frentes de trabalho: doações de equipamentos de proteção individual (EPIs), instalação de tendas de triagem, e doações de máscaras de mergulho adaptadas para ventilação mecânica não-invasiva.

O projeto foi inspirado em uma ideia que surgiu na Itália que utiliza máscara de mergulho conectada a um respirador. No formato brasileiro, a principal diferença é o conector que substitui o snorkel da máscara que possibilita ligação direta ao oxigênio. A adaptação acopla parte da peça original a uma modulagem, que permite a entrada e saída do ar, feita em uma impressora 3D.

As máscaras são consideradas como importante opção de ventilação não-invasiva. Wallace Turcio, engenheiro mecânico e voluntário do Motirõ explica que 2.200 máscaras foram doadas pela empresa francesa Decathlon para adaptação e distribuição nos hospitais brasileiros com a ajuda da Expedicionários da Saúde que conta com apoio da Azul Cargo Express nos traslados das doações realizadas para todo o país.

“Para receber a doação basta que o hospital seja do SUS e esteja apto para utilizar corretamente as máscaras”, informa Turcio ao explicar que a Santa Casa de Araçatuba foi incluída por atender pacientes de 40 cidades da região, condição que lotou leitos de UTI e Isolamentos no pico da pandemia.  Situação que chamou a atenção “de um dos integrantes do grupo, que tem família em Araçatuba, pesquisou sobre os casos e viu que os casos estavam graves e muito numerosos na Santa Casa”.

Motirõ

Motirõ - palavra Tupi Guarani que significa "reunião de pessoas para colher ou construir algo junto, uns ajudando os outros"-  é grupo de voluntários formado por profissionais de diversas áreas, entre engenheiros, médicos, fisioterapeutas, advogados, etc.  Que atuam nas regiões de Bauru, Botucatu, Campinas, Itapeva, São José dos Campos e São Paulo. O foco do grupo é a construção de soluções técnicas de baixo custo e alto impacto para oferecer gratuitamente ao tratamento da Covid-19.

O projeto começou com a adaptação das máscaras de mergulho full face (modelo Easy Breath) para equipamento de ventilação não invasiva (VNI). Além da frente associada à adaptação e doação das máscaras, o Motirõ atua em duas outras frentes, como em projetos de equipamentos de proteção individual (EPIs) e tendas de pressão negativa com exaustão filtrada.
 
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