15/04/2020 às 15h32min - Atualizada em 15/04/2020 às 15h32min

Pequenos produtores rurais dizem que não haverá desabastecimento, mas começam a sentir retração nas vendas

Trabalho dos agricultores e criadores associados ao SIRAN continua normalmente no campo, seguindo as orientações de prevenção à Covid-19, mas já sentem redução na demanda e estão preocupados

Assessoria de Imprensa, Marcelo Teixeira
Thomas Rocco diretor do Siran
 No que depender do produtor rural, não faltará comida para famílias da região de Araçatuba durante a quarentena. Isso porque, seguindo as orientações de prevenção contra a Covid-19, o trabalho do homem do campo continua de forma intensa. No sítio do agricultor Hélio Matsushi Sekyia, em Guararapes (SP), por exemplo, a produção de hortaliças está no auge, sendo escoada para feiras locais e também de Araçatuba, assim como para a merenda escolar e para o programa Fome Zero. O excedente ele destina a entidade assistenciais.
 
         Na propriedade de 12 hectares (ha) de Aparecido Antônio da Silva, no assentamento Chico Mendes, em Araçatuba, toda a produção de banana, mamão, abóbora e a horta vai para o Fome Zero e para a Feira do Produtor Rural, que é realizada toda terça-feira, das 17h às 20h, na praça Getúlio Vargas.  Produtora de hortaliças em Araçatuba, Emily Miyuki Sato, também participa da Feira do Produtor Rural, mas 98% da produção de cebolinha, rúcula, alface e outras folhagens são escoadas para supermercados locais e de Birigui.
 
         "Todo mundo aqui na feira tem produto pra entregar, pois as pessoas precisam comer e a gente não vai parar de produzir alimento", afirma Emily. Silva compartilha da fala da colega de feira. "Faz três anos que participo da Feira do Produtor Rural e não tenho do que reclamar. Mesmo nesta quarentena, não percebi nenhuma queda no movimento", diz o produtor. "Por enquanto, estamos escoando a produção e nos mantendo. Resta saber até quando", completa Sekyia.
 
Preocupação
 
O receio do produtor de Guararapes se justifica. No caso dele, assim como no do agricultor do assentamento Chico Mendes, as vendas para o programa Fome Zero devem durar poucas semanas. Depois disso, outro processo será aberto e todos os trâmites burocráticos devem durar meses de espera até que as entregas sejam retomadas. Nesse meio tempo, as feiras serão praticamente a única forma de escoar a produção.
 
Já Emily comenta que os pedidos dos supermercados continuam, mas a troca de produtos é alta (quando as folhagens estragam, precisam ser repostas, e o custo fica com o produtor). "A gente fica sim preocupado, pois não sabemos como serão os próximos dias dessa quarentena, e o impacto disso para o produtor rural".
 
         De acordo com o diretor do SIRAN (Sindicato Rural da Alta Noroeste), Thomas Rocco, muitos pequenos produtores associados à entidade têm demonstrado apreensão. "A parada do Fome Zero vai afetar muito produtor que escoa a maior parte da produção para o programa. Além disso, tem informação desencontrada no circuito com os supermercados, pois estes dizem que a demanda está existindo, mas tem muito pequeno produtor começando a sentir redução nos pedidos. Estamos monitorando a situação e atentos aos impactos junto aos agricultores e criadores da região".
 
O presidente do SIRAN, Fábio Brancato, lembra que acabou de enviar ao presidente Jair Bolsonaro e à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, um ofício sugerindo ações ao Governo Federal em favor do produtor rural. Uma delas é a prorrogação de prazos para reembolsos de financiamentos rurais e de garantias de acesso a crédito para a Safra 2020/21. "Estamos pensando no produtor de forma geral, pequenos, médios e grandes também. O fato é que a agricultura e a agropecuária não vão parar. Mas eles precisam de resguardo para continuar na lida para que a matéria-prima chegue até as indústrias, e elas (as indústrias) também sigam produzindo".
 
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