13/04/2020 às 11h04min - Atualizada em 13/04/2020 às 11h04min

Endometriose é uma doença benigna

Assessoria de Imprensa, Naves Coelho
Foto: Divulgação
Apesar de benigna, a Endometriose afeta a qualidade de vida de cerca de seis milhões de brasileiras, seja por causa da dor pélvica, da infertilidade ou dos tratamentos muitas vezes ineficazes e inadequados.

A Endometriose é uma doença benigna que afeta até 10% das mulheres em idade reprodutiva e se manifesta principalmente por dor pélvica e dificuldade para engravidar. A doença caracteriza-se pela presença do tecido que reveste o útero (endométrio) na pelve feminina e em outras localizações. Acredita-se que múltiplos elementos se combinem para gerar a doença, havendo interação de fatores mecânicos, genéticos, imunológicos, endócrinos e ambientais.

A suspeita pela doença pode surgir durante a consulta médica com o relato dos sintomas da paciente e realização do exame clínico ginecológico. A ultrassonografia pélvica e transvaginal (USTV) com preparo intestinal e a ressonância magnética (RM) com protocolos especializados são os principais métodos por imagem para detecção e estadiamento da endometriose. Devem, todavia, ser realizados por profissionais com treinamento e experiência nesse diagnóstico.

A videolaparoscopia com biópsia das lesões endometrióticos fica reservada para casos específicos após avaliação especializada.

É importante salientar que em até 25% das mulheres, a doença pode ser silenciosa. A dor pélvica, entretanto é um sintoma muito comum e suas características podem variar. Cólicas menstruais são frequentes, mas outros tipos de dor pélvica não relacionada ao ciclo menstrual podem ocorrer, inclusive durante o ato sexual e ao evacuar ou urinar. A piora da dor durante o período menstrual também alerta para a possibilidade de endometriose.

 É importante lembrar que outras causas de dor pélvica podem estar presentes como alterações intestinais, ortopédicas e urinárias que devem ser identificadas e tratadas.

A infertilidade também é uma condição associada à endometriose, embora nem toda mulher com endometriose seja infértil. Entre as inférteis, entretanto, até 50% tem endometriose. 

 Embora a melhor abordagem terapêutica para a endometriose ainda não tenha sido estabelecida, a cirurgia associada ao tratamento medicamentoso permanece como opção principal.  Estudos revelam que os melhores resultados são obtidos quando o tratamento é realizado por equipe multidisciplinar.
 
                                                    Márcia Mendonça Carneiro, médica ginecologista do Corpo Clínico do Biocor Instituto e professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da UFMG

 

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