13/01/2020 às 16h17min - Atualizada em 13/01/2020 às 16h17min

O que o cérebro perde ao abandonarmos o hábito de escrever à mão?

NEUROCIÊNCIA

HISTORY
As comunicações digitais colocaram praticamente em desuso a escrita à mão, que deu lugar à utilização de teclados e telas táteis. Não faz muito tempo, a atividade da caligrafia despertava o exercício de regiões cerebrais fundamentais para o desenvolvimento das crianças e da boa saúde dos adultos. O ato estimula as áreas cognitiva, motora e visual, além de um conjunto de redes neuronais. Ao abandonarmos esse hábito, há a diminuição de algumas dessas atividades cerebrais.

No caso das crianças, a escrita à mão é importante para o desenvolvimento da motricidade fina, a coordenação entre o olho e a mão, o controle da motricidade geral e o movimento de pinça das mãos, segundo a neurologista espanhola Marta Ochoa, do Hospital HM, em Madri, na Espanha. A atividade é também importante para os adultos, ao fomentar a memória prospectiva e estimular áreas relacionadas ao olfato e ao tato. Além disso, escrever à mão também reflete no lado psicológico das pessoas. 

De acordo com um estudo da Universidade de Indiana, a caligrafia aumenta a atividade neural em certas regiões do cérebro em um efeito semelhante ao da meditação. A pesquisa aponta que a mera ação de escrever à mão desencadeia um tipo de criatividade que não é facilmente alcançada de outras maneiras.  A atividade pode até influenciar o modo como pensamos, pois os movimentos sequenciais da mão ao escrever ativariam regiões do cérebro responsáveis pelas ideias, linguagem e memória.

Escrever uma carta, por exemplo, também funciona como um catalizador das emoções, desenvolve a criatividade e auxilia na organização das ideias, de acordo com a psicóloga Silvia Cintrano, do Instituto Centta, em Madri. Além disso, a escrita à mão ativa a memória e ajuda a focar o pensamento. Ao contrário, o uso da tecnologia substituiu o uso de algumas atividades cognitivas, motoras e visuais, que acabaram prejudicadas pelo desuso.  

Mas isso não quer dizer que escrever em dispositivos eletrônicos seja prejudicial. Cintrano argumenta que tudo o que ajuda a expressar e ordenar ideias tem um benefício. Mas ela salienta que digitar em um teclado não tem o mesmo impacto que a escrita à mão.
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