08/03/2018 às 15h38min - Atualizada em 08/03/2018 às 15h38min

Dipirona e paracetamol podem ter o efeito do álcool na direção

Analgésicos têm efeitos nocivos na concentração, na coordenação motora e no aumento da sonolência - danos similares aos ocasionados por bebida alcoólica.

Quatro Rodas
Analgésicos e relaxantes musculares podem provocar sonolência ao volante. ( Foto: Divulgação)
De repente, as linhas da estrada começam a entortar ou sumir. Você não consegue mais se concentrar na via e demora duas vezes mais para realizar uma simples troca de marcha.

Esses sintomas são bem comuns em condutores sob efeito do álcool ou de sono extremo.

Porém, esses efeitos podem ser provocados pela ingestão de medicamentos facilmente encontrados em farmácias – e sem receita médica.

São remédios usados de forma corriqueira, como analgésicos (paracetamol, dipirona e ibuprofeno) e relaxantes musculares (Dorflex, Miosan e Mioflex).

De acordo com a Academia Brasileira de Neurologia, cerca de 20% dos acidentes são causados por motoristas com seus reflexos alterados. Não há dados no Brasil de colisões provocadas especificamente pelo efeito colateral de medicamentos.

Afinal, muitas vezes a vítima não acredita que um simples remédio para dor de cabeça pode ter provocado uma sonolência excessiva ou mesmo a perda de consciência.

“Muitos medicamentos afetam três funções importantes para a direção: cognitiva, motora e perceptiva. O efeito muda de acordo com cada organismo e por isso a automedicação é tão perigosa”, diz Dr. Dirceu Alvez Rodriguez, diretor da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego).

Segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), 72% dos brasileiros se automedicam. E o mesmo estudo aponta que 40% fazem seu diagnóstico pesquisando na internet.

De acordo com o diretor da Abramet, pedir uma orientação médica antes de consumir um remédio pode evitar acidentes.

“Um bom profissional de saúde poderá aconselhar qual o melhor tratamento e alertar se ele irá afetar a condução de um veículo”, diz Rodriguez.

 
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