29/11/2019 às 15h09min - Atualizada em 29/11/2019 às 15h09min

Andradina sedia treinamento para extensionistas da Secretaria de Agricultura

Primeiro Treinamento Integração Lavoura-Pecuária-Floresta contou com a participação de mais de 100 profissionais

Governo do Estado de São Paulo
Foto: Divulgação/Agricultura e Abastecimento
Nos dias 19 e 20 de novembro, o Sindicato Rural de Andradina recebeu mais de 100 participantes para o 1º Treinamento Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). O público, na maior parte extensionistas da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado que atuam na Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS), terá a missão de repassar e multiplicar os conhecimentos entre os produtores.

O objetivo é que o sistema seja compreendido e adotado como forma de produção sustentável e otimização das áreas e das atividades, tanto agrícolas, com plantio de grãos, quanto a inserção de pecuária de corte e leite entre as linhas de floresta, em especial de eucalipto e pinus, espécies que vêm tendo suas performances estudadas na região ou outras espécies exóticas, como, por exemplo, o mogno africano.

Trata-se do primeiro de uma série de treinamentos que ocorrerão a partir de 2020. Já estão programados dois eventos em Andradina, sobre ILPF e recuperação de áreas de pastagens degradadas, e mais três em Nova Odessa, na sede do Instituto de Zootecnia (IZ).

Capacitação

Segundo a equipe organizadora, composta por pesquisadores do IZ e da Apta Regional, órgãos pertencentes à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), o treinamento capacitará 480 extensionistas rurais da CDRS em todo o Estado.

“Existem novidades nesse setor. As pesquisas caminharam nos últimos dez anos e não foi feito nenhum treinamento intensivo para que a tecnologia, os avanços e entraves fossem repassados aos produtores rurais, para que pudessem adotar os sistemas integrados”, salienta o diretor da Apta Regional, pesquisador Sílvio Tavares.

Para o diretor do Instituto de Zootecnia, Luiz Ayroza, a integração entre a pesquisa e a extensão rural é necessária. “As parcerias são fundamentais no campo e também entre os órgãos. Aqui, temos vários parceiros que definem a importância desse evento: a universidade, a Secretaria de Agricultura, com seus órgãos de pesquisa e extensão, e o Ministério da Agricultura”, enfatiza.

Os pesquisadores Linda Mônica Premazzi e Ricardo Lopes Dias, da equipe organizadora, explicaram que o treinamento ocorre devido ao convênio firmado entre a Secretaria e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que permitiu a liberação de uma verba de R$ 350 mil destinada à transferência de tecnologia. A partir daí, foram envolvidos os vários órgãos da pasta (CDRS, Apta e Instituto de Zootecnia) para que as capacitações pudessem ser levadas a efeito.

A representante do MAPA, Juliana Hernandes Antunes, acompanhou todas as atividades do evento, tanto a parte teórica realizada no Sindicato Rural, quanto a parte prática, realizada nos campos de testes instalados no Polo Regional Extremo-Oeste, em parceria entre a Universidade Estadual Paulista (Unesp – Campus Dracena) e a Fundação Educacional de Andradina.

Atividades

No primeiro dia, a palestra do pesquisador Wander Luis Barbosa Borges, do Centro de Seringueira e Sistemas Agroflorestais (IAC/Apta/SAA), abordou os conceitos de sistemas integrados de produção agropecuária, seguido por uma sessão técnica com vários aspectos destes sistemas, como planejamento conservacionista, componente lavoura nos sistemas integrados, condições edafoclimáticas e exigências das principais culturas.

A segunda sessão técnica foi comandada pelo professor Gelci Carlos Lupatini, da Unesp, sobre componente animal e pastos integrados, principais forrageiras, adequação do sistema de produção pecuário e alternativas de produção pecuária em sistema integrado.

“A inserção do gado para cria ou engorda nos sistemas integrados tem apresentado vantagens em relação à rotação com grãos como o milho, por exemplo. O boi-safrinha representou uma lucratividade superior em determinadas áreas de solo arenoso, demonstrando que é possível consorciar agricultura e pecuária fazendo parcerias entre produtores diferentes ou com o mesmo produtor adotando as diversas atividades”, afirma o docente.

O pesquisador Miguel Luiz Menezes Freitas, do Instituto Florestal, abordou a conservação genética e o melhoramento florestal. Encerrando o primeiro dia de treinamento, Fernanda Santos Fernandes, da CDRS, definiu os critérios e procedimentos para exploração sustentável de espécies nativas do Brasil.

“O atual Código Florestal permite que propriedades de até quatro módulos fiscais, ou seja, pequenos proprietários rurais, possam utilizar a madeira e até obter lucro a partir de espécies exóticas usadas para reflorestamento de áreas de preservação permanente. O importante é que procurem por orientação nos escritórios locais e regionais da CDRS, para estarem fundamentados na lei”, diz Fernanda Santos Fernandes.

Apresentação

O segundo dia contou com a palestra da professora Cristiana Andrighetto, também da Unesp, que complementou sua palestra sobre o sistema ILPF com a apresentação prática em uma das quatro estações que foram montadas em diferentes áreas do Polo Regional Extremo-Oeste.

Os experimentos no Polo têm sido comandados pelo pesquisador Gustavo Pavan Mateus, com a parceria dos professores da Fundação Educacional de Andradina, Leandro Barradas Pereira e Camila Valeroni Recco.

As estações técnicas foram sobre: controle de formigas nos sistemas integrados, um dos grandes desafios na implantação dos eucaliptos; as espécies forrageiras usadas em sistemas integrados e a performance de cada uma; as espécies arbóreas (eucalipto e pinus) mais usadas nos sistemas integrados; as Boas Práticas na Produção da Lavoura nos Sistemas Integrados e, ao final, uma demonstração da serraria móvel utilizada no Polo Regional para corte e preparo da madeira ainda no campo.

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