28/11/2019 às 09h09min - Atualizada em 28/11/2019 às 09h09min

Dados podem ajudar a melhorar a educação

Mayk Souza
Assessoria de Imprensa
Foto: Divulgação

A coleta e a análise de dados se tornaram uma realidade não somente na economia, mas em diversas áreas. Para especialistas, também na educação, esse tipo de prática pode contribuir para identificar problemas e orientar a ação de gestores, profissionais e governantes tanto na administração escolar quanto na elaboração de políticas públicas.

O tema foi discutido no evento Data Meeting Brazil, realizado em Brasília. A professora de administração da Universidade de São Paulo (USP) Alessandra Montini destacou que, atualmente, há muitos dados disponíveis e o desafio é extrair deles valor para instituições e benefícios para a sociedade.

"A questão é como fazer para captar essa quantidade de informação. O número de dispositivos aumenta, o carro está conectado, até a TV desligada está conectada. Isso é possível porque há muito processamento. Hoje, nosso smartphone é muito mais poderoso do que o computador que levou homem pra lua. O desafio é como eu vou usar essa informação para tomada de decisão", ressaltou a docente.

Na avaliação do gerente de políticas do movimento Todos pela Educação, Gabriel Corrêa, o trabalho orientado por dados pode ajudar de diversas formas no setor. A primeira é reconhecendo o que funciona. Entre 2007 e 2017, por exemplo, os percentuais de alunos do 5o ano com aprendizagem satisfatória em língua portuguesa e matemática mais que dobraram, saindo, respectivamente, de 28% para 60,7% e de 23,7% para 48,9%.

Outro exemplo é o acesso à escola. Na década de 1970, o índice estava na casa dos 48%. Atualmente, os jovens em idade obrigatória (4-17 anos) matriculados nos ensinos fundamental e médio chegam a 96,8%. "Um montante de dados, quando bem utilizado, pode virar política pública e impactar a vida dos professores e alunos brasileiros", sugeriu Gabriel Corrêa.

Por outro lado, a análise de registros sobre serviços educacionais também permite mapear problemas. No ensino médio, por exemplo, 28% dos jovens estão dois ou mais anos atrasados, enquanto 60% dos alunos que concluem o ensino fundamental não têm o aprendizado considerado adequado. Isso pode exigir algumas ações de reforço escolar para melhorar a performance de cada aluno.

Corrêa acrescentou que a análise de informações permite comparar governos "sem ideologia, com base em resultados". O integrante do movimento citou ainda desempenhos desiguais entre estados. Entre 2007 e 2017, "se tomado o aprendizado adequado em língua portuguesa, o Ceará cresceu 44 pontos percentuais, enquanto o Maranhão evoluiu apenas 8", exemplificou. Por outro lado, enquanto o Maranhão teve, em 2015, R$ 3,4 mil para gastar por aluno, São Paulo investiu R$ 6,5 mil por estudante no mesmo ano.

Outra forma de atuação apoiada em dados no setor é o acompanhamento de alunos. Em São Paulo, o governo elaborou uma ferramenta que ganhou o nome de foco aprendizagem. Por meio da análise da atuação do estudante, ela traça um perfil individualizado a cada professor, inclusive recomendando formas de reparar ou ajudar alunos que apresentem dificuldades a estimular habilidades.
 


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