14/11/2019 às 14h52min - Atualizada em 14/11/2019 às 14h52min

Semana de Conscientização sobre Antibióticos alerta para riscos do uso incorreto do medicamento

De acordo com entidades ligadas à ONU, pelo menos 23 mil pessoas morrem por ano no Brasil por resistência microbiana

Dr. Adelino de Melo Freire Júnior
Assessoria de Imprensa, Naves Coelho
Foto: Divulgação

O médico e professor escocês Alexander Fleming (1881-1955) mal sabia que seria responsável por revolucionar a medicina ao descobrir, acidentalmente, a penicilina em 1928. A descoberta se tornou marco histórico e serviu como estímulo para o desenvolvimento e aprimoramento de outros antibióticos. Essa classe de medicamento é a mais eficaz no tratamento de infecções causadas por bactérias, porém, se utilizada de maneira incorreta, passa a ser um enorme risco para a população de modo geral. Por isso, com intuito de evitar o surgimento de bactérias resistentes aos antibióticos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) dá início, na próxima segunda-feira (18), a Semana Mundial de Conscientização sobre Antibióticos.

O médico infectologista do Hospital Felício Rocho, Dr. Adelino de Melo Freire Júnior, explica que o uso incorreto dos antibióticos favorece a seleção de bactérias resistentes aos medicamentos. Esses mecanismos de resistência podem ser transmitidos entre as bactérias da mesma espécie e até mesmo para bactérias de espécies diferentes. Quando isso ocorre, o antibiótico perde seu efeito, dificultando o tratamento. "Existem pesquisas que buscam alternativas para os antibióticos, como o uso de vírus ou fagos, nanotecnologia, probióticos, vacinas, entre outras. Apesar de muitos estudos nesse sentido, não há, até o momento, nada que efetivamente substitua essa classe de medicamentos", ressalta.

Dados do relatório de entidades ligadas à ONU, divulgados recentemente, estimam que, até 2050, a resistência microbiana causará a morte de 10 milhões de pessoas por ano, em todo o mundo. Atualmente, o total de mortes é de 700 mil por ano, sendo 23 mil no Brasil.

Com a resistência aos antibióticos, o tratamento de doenças infecciosas bacterianas fica comprometido, já que as opções de medicamentos são limitadas. "No Brasil, os antibióticos mais usados estão associados ao tratamento de infecções de vias aéreas, como sinusites e amigdalites e para infecções urinárias. Consequentemente, são os tratamentos mais afetados futuramente", explica Dr. Adelino.

Outro estudo que apresentou dados preocupantes foi o levantamento realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A pesquisa concluiu que cerca de 40% a 60% das doenças infecciosas já são resistentes aos medicamentos.

Para a comunidade médica, a melhor forma de combater a resistência das bactérias é através da conscientização. "É muito importante a divulgação, de forma ampla e transparente, dos dados de resistência, o incentivo a formação de especialistas na área, capacitação de médicos, farmacêuticos, bioquímicos e demais profissionais que lidam com diagnóstico e manejo de infecções por bactérias resistentes a antibióticos", alerta Dr. Adelino de Melo Freire Júnior.

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