08/11/2019 às 15h40min - Atualizada em 08/11/2019 às 15h40min

Para realizar sonho de abrir empresa, jovem de 16 anos vende doce na rua

Em quatro meses de vendas, Wendell da Paçoca comemora resultados

Brenda Chérolet
Educa + Brasil
Foto: Divulgação
“Quanto mais você deixa para fazer as coisas mais tarde, mais você fica para trás”. A frase dita por um adolescente de 16 anos reflete a maturidade de Wendell Ferreira, um jovem estudante do ensino médio que sabe correr atrás dos seus sonhos. Ele foi para as ruas vender doces para juntar dinheiro e abrir sua própria empresa.

Wendell da Paçoca, como é conhecido, poderia ser mais um jogador da Seleção Brasileira, sonho comum entre adolescentes da sua faixa etária, certamente ouviríamos Galvão Bueno narrar: “Vai que é tuuuua, Weeeendell”! Mas ele mirou além e, apesar da pouca idade, deu um chute certeiro no campo do empreendedorismo e já veste a camisa de craque em educação financeira.

Visionário e empreendedor, Wendell ficou conhecido nas ruas de Salvador e nas redes sociais por vender paçocas para realizar o seu sonho de ter o próprio negócio. Com uma caixa de doces na mão e uma placa na outra, ele espera a luz vermelha das sinaleiras para se aproximar dos clientes. Mas sua abordagem é diferente e chama a atenção. Junto com as paçocas, Wendell carrega consigo um sonho traduzido em palavras: “Quero ser empresário. Para tudo tem um começo. Paçoca R$1.”

Tudo começou quando o jovem morador do bairro da Liberdade, na capital baiana, trabalhava como menor aprendiz e estava insatisfeito com a falta de oportunidade de crescimento. Por isso, pediu demissão e com mil reais que recebeu da empresa investiu na sua primeira marca de roupas, mas o sonho de menino acabou em frustração, pois na época Wendell não tinha conhecimento financeiro e foi à falência.

Porém, todo empreendedor sabe que não deve desistir no primeiro fracasso. Ciente disso, Wendell persistiu. Quando o sonho parecia inalcançável, o jovem inspirou-se no empresário Sílvio Santos, que trabalhou como vendedor ambulante e, hoje, é dono do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) e do Grupo Sílvio Santos.

Em quatro meses de vendas na rua, Wendell conseguiu juntar o montante que queria e conquistou mais do que o dinheiro pode comprar, como ele revela: “Fiz muito network, ganhei um curso de oratória, outro de investimento financeiro que custa R$ 3 mil. Teve gente que me pagou R$ 50 só pra tomar um café comigo e conhecer a minha história”.

Para o adolescente, a motivação vem do desejo de dar conforto à sua família e ajudar outros jovens para que tenham consciência do seu potencial de empreender. “Enxerguei nos meus pais a dificuldade no padrão de vida, de trabalhar e só ter dinheiro para pagar contas. Quero poder aposentá-los e vou presentear a minha mãe com um restaurante. Ela ama a ideia mas, no início, achava que era maluquice, surreal”, diz.

Atualmente, Wendell usa o dinheiro das vendas para aprimorar seu marketing digital, investindo em livros e cursos. Para o futuro, ele planeja cursar Psicologia e continuar ajudando pessoas na carreira de empreendedorismo.

“Meu negócio é ajudar pessoas. Existem jovens, como eu, que precisam de incentivos e exemplos. Quero que eles olhem pra mim e se inspirem. Estou montando um grupo de jovens que querem empreender. Nesse grupo, vou ajudar na área empresarial deles”, conta.
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