30/10/2019 às 09h50min - Atualizada em 30/10/2019 às 09h50min

Roupa como manifestação cultural? Saiba mais sobre o tema

Entenda como a escolha de trajes e estampas transmite informações sobre a personalidade

Fernando Nascimento
Foto: Divulgação
Todo mundo, ao menos uma vez na vida, já passou horas diante do guarda-roupa sem saber o que escolher para usar. Pode ser uma ocasião especial ou apenas rotina, a verdade é que queremos estar bem vestidos para mostrar ao mundo, de certa forma, como estamos nos sentindo e quem somos.
 
A roupa nos diferencia e nos apresenta. Sua escolha é algo subjetivo, tem a ver com o gosto de cada um. Bom exemplo disso, é a compra de uma camiseta com estampa diferenciada, que acaba, direta ou indiretamente, contando às pessoas sobre o que aquele indivíduo gosta ou está pensando só pela imagem impressa no tecido.
 
Cores, estampas, formas e até tipos de tecido são formas de transmitir mensagens, algo que a moda descobriu há muitos anos e os estilistas vêm trabalhando arduamente para usar e agradar seu público de interesse.

É cultural
 

As roupas vão além da moda. Elas são meios de comunicação e também manifestações culturais.
 
É que alguns trajes são usados apenas por determinadas culturas, locais e períodos. Como exemplos, temos os longos e rodados vestidos das baianas. Não é algo que todas as mulheres do estado usam e, mesmo aquelas que o fazem, não é todos os dias.
 
Mas, o vestido é parte de manifestações religiosas e festas específicas, como o Carnaval, e remete instantaneamente a uma cultura e seus costumes.

Marcas de uma época
 

Dizem que a moda é cíclica e que o que é tendência hoje, já foi no passado ou voltará a ser no futuro. A verdade é que muitas roupas também registram a história do mundo.
 
No período pós-guerra, surgiram diversos trajes e materiais para atender a uma necessidade das pessoas e dos países. Com a maior participação das mulheres no mercado de trabalho, elas precisaram ir à labuta e as roupas precisaram ser adaptadas para isso. O short-saia, por exemplo, nasceu na França para permitir que as mulheres, que na época só usavam saias, pudessem ir confortavelmente de bicicleta ao trabalho.
 
Outro caso interessante foi o uso da cortiça no solado dos sapatos. A proposta foi do renomado estilista Salvatore Ferragamo, que precisava de materiais baratos para usar em suas peças e acabou criando uma tendência que nunca mais deixou de ser usada.
 
Nos anos 60, a descoberta do plástico fez com que o material invadisse as casas nos mais diferentes produtos: eletrodomésticos, utensílios, móveis e vestuário. O vinil passou a fazer parte do guarda-roupa de homens e mulheres em jaquetas, vestidos, sapatos e, com isso, passava a ideia de modernidade para quem usava esses trajes.

Vai e volta
 

As roupas são manifestações comportamentais também. Quando as mulheres conquistaram ainda mais espaço no mercado de trabalho, na década de 80, outra referência pôde ser percebida em seus trajes: as ombreiras. Para ganhar respeito e conquistar seu mérito na carreira, elas precisaram se “masculinizar” e a vestimenta foi uma forma de fazer isso.
 
As ombreiras deixavam o corpo mais “quadrado”, escondiam as curvas e alargavam o ombro, remetendo à silhueta de um homem. Se hoje isso soa extremamente absurdo, na época fazia sentido e era tendência mundial.
 
O corte, o comprimento e o formato da roupa também demonstram uma intenção. Afinal, a vestimenta pode ser usada para seduzir, conquistar ou chamar a atenção. Elementos como rendas, bordados, transparências e brocados ajudam a passar a ideia de sensualidade, a valorizar, destacar ou disfarçar uma parte do corpo.
 

E hoje?
 

Apesar de parecer difícil determinar como está a moda na década atual, porque ainda a estamos vivendo, vemos que cada vez mais as pessoas têm encontrado nas vestimentas formas de comunicar seu estado de espírito e suas vontades.
 
As camisetas, principalmente, ganharam estampas de frases de efeito ou expressões que são populares na internet, como “Ranço”, “Gordito e cansadito”, entre outras. Estampas de personagens de filmes, desenhos e séries também figuram entre as mais procuradas por adultos.
 
Já não existe o medo de parecer infantil ao usar uma roupa com estampa de personagens de desenho animado. Ao contrário: é geek, é cult, é descolado e, mais do que tudo, espelha a individualidade daquela pessoa.

 

 


 
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