23/09/2019 às 14h29min - Atualizada em 23/09/2019 às 14h29min

Mulheres Trans de Araçatuba ganham ensaio fotográfico de alunos do Senac

Iniciativa contemplou três cursos da instituição

Assessoria de Imprensa
Foto: Divulgação
As histórias de vidas de três mulheres trans de Araçatuba ganharam destaque sobe o olhar atento dos alunos do Senac. Os estudantes foram estimulados a tornar esse público protagonista de um projeto que começou em sala de aula, para que fosse abordada a inclusão social, o respeito e o empoderamento por essas pessoas.



A ação fez parte de um projeto que se iniciou em sala de aula e teve como objetivo valorizar esse público.   "O projeto trouxe uma reflexão interessante e rica para alunos e funcionários da unidade.

Trouxe um olhar de inclusão que nos proporciona um movimento de conhecimento e luta pelos direitos, desenvolvendo e concretizando as potencialidades de todos os envolvidos", explica Edna Dias, uma das docentes responsáveis pela iniciativa.

Contemplando as turmas dos cursos de Educador Social (a frente do projeto), Fotógrafo e Maquiador do Senac Araçatuba, os estudantes conseguiram a participação de três mulheres transexuais para o trabalho. “Graças a esse trabalho, conseguimos dar visibilidade para as histórias, dificuldades e preconceitos vividos por essas mulheres”, conta a docente.
 
Por meio de pesquisas em livros e na internet, além de visitas técnicas no Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) e nas ruas, que os alunos do curso de Educador Social tiveram muito mais estímulo na divulgação dessas histórias. Além disso, eles foram até a ONG Associação Gênero, Diversidade, Direitos e Afetividade (ONG Agendda) para conhecerem a realidade desse público na cidade e no país.
 
“Como um dos alunos do curso de Educador Social já havia realizado o curso de Fotógrafo no Senac, tivemos a ideia de entrar em contato com um docente da área e promover uma integração”, conta Edna sobre a parceria. "Depois que as três turmas já estavam integradas, realizaram vários encontros para que o projeto acontecesse da forma mais assertiva possível. Trabalharam bem próximas das mulheres trans para que todo o processo e resultados fossem apresentados de forma sensível e inclusiva", contextualiza a docente.
 
O resultado do ensaio fotográfico foi apresentado em formato de exposição na biblioteca da unidade entre julho e agosto.

Knanda França, uma das mulheres que participou da iniciativa, afirma como se enxerga hoje. "Eu me vejo uma pessoa estruturada na vida. Quero ter o meu cantinho, meu salão para me manter, meu parceiro e adotar crianças”.

Rayalla Bonatto, que também participou do ensaio fotográfico, relatou aos alunos como foi que se descobriu transexual. "Foi muito claro. Sabe aquela brincadeira Pera, Uva, Maçã, Salada Mista? Tinha uma menina que queria me beijar e eu falei não. Eu não gostei daquilo! Eu queria beijar o menino. Eu desconjurei, chorava. Aí foi quando todo mundo começou a perceber quem eu era".

Um dos alunos do curso de Educador Social, Anderson Rodrigues, acredita que a partir da vivência delas reconheceremos as perdas que esse processo envolve. “O projeto me fez perceber que a realidade das mulheres trans é plural. A pluralidade desta população é um elemento importante para que passamos a reconhecer as especificidades que podem variar sobretudo de acordo com a raça/etnia e classe social. Por isso, é necessário trabalhar políticas publicas diversificadas que contemplem o maior número de demandas possíveis e de forma efetiva”, argumenta o estudante.

Para Maria Fernanda Dias Fernandes, aluna do curso Fotógrafo, ter contribuído na organização e comunicação entre os grupos, ensaio fotográfico, logístico e produção dos preparativos para as fotos desse projeto foi um momento único em sua formação.  "Não conhecia a realidade delas, nem tinha ideia do quanto são guerreiras, enfrentam as adversidades e seguem suas vidas. Cada uma com sua história e vivência. O projeto foi muito significativo para todos".


 

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