09/08/2019 às 10h40min - Atualizada em 09/08/2019 às 10h40min

Moro é maior que Bolsonaro?

Confira a análise da popularidade dos dois gigantes da política.

MBL NEWS
Presidente Jair Bolsonaro com o ministro da justiça e segurança pública Sérgio Moro
Que Moro foi imprescindível para a eleição de Bolsonaro, todos sabemos. Mas qual foi o impacto da polêmica causada pelas conversas hackeadas atribuídas a ele em sua popularidade?

Aparentemente, nenhum. Segundo levantamento feito pelo Datafolha e publicado pela Folha, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, segue inabalável na confiança dos brasileiros.

Cerca de 97% da população entrevistada foi capaz de identificar o ministro e 52% classificaram seu desempenho como ótimo ou bom. A título de comparação, o ministro Paulo Guedes, da Economia, mesmo após ser a figura principal na aprovação da reforma da Previdência na Câmara, foi identificado por apenas 77% dos entrevistados (ambos ficaram na liderança entre os ministros de Bolsonaro mais conhecidos) e seu desempenho é considerado ótimo ou bom por 31% das pessoas.


Em contraste com a aprovação do presidente da República, tanto Moro quanto Guedes estão muito bem. Segundo pesquisa Ibope divulgada pelo Estadão , a classificação da gestão de Bolsonaro como ótima ou boa caiu de 35% para 32% – e 51% dos entrevistados afirmaram não confiar no presidente.

Em pesquisa realizada pelo Datafolha sobre a popularidade do presidente, o resultado foi similar, 33% dos entrevistados afirmaram que a conduta presidencial é ótima ou boa.

Mas qual seria o motivo para tamanha discrepância entre a aceitação do ministro da Justiça para a do presidente?

O passado dos dois com certeza é um fator determinante. Enquanto Moro foi a cara da luta contra a corrupção no Brasil e peça chave na destituição do PT do poder, Bolsonaro colecionava polêmicas e se apresentou como antagonista à Era lulopetista.

Tanto a extensa preparação do nome do presidente para o pleito de 2018, como a falta de um personagem da direita que fosse “moderado”, tornaram 17 a única opção dos que não aceitariam mais o número 13 em suas urnas eletrônicas.

E sim, o nome de Sérgio Moro e de Paulo Guedes na equipe de Bolsonaro trouxeram grande paz ao coração dos que não se convenciam de um todo sobre ele ser a melhor opção.

O grande problema é que a dinâmica encontrada no momento das eleições vem sofrendo mutações e isso pode ser péssimo para o presidente. Ao preterir sua boa relação com os “ministros estrela” de seu governo ao cargo de embaixador do filho, Bolsonaro pode estar abrindo um vão entre si e os eleitores que não são encantados pela polarização e pelas arminhas com a mão.

Só resta esperar que o presidente caia em si o quanto antes e que seu mandato siga marcado pelas reformas acertadas e pela luta contra a corrupção – não por um caso de nepotismo velado.

Afinal, não é de seu interesse que “Bolsonaro 2022 se torne Moro 2022”.
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