28/06/2019 às 09h31min - Atualizada em 29/06/2019 às 17h00min

Afinal, é possível curar uma alergia?

Vida e Estilo
Foto: Divulgação
Alergia incomoda, atrapalha as nossas rotinas e determina a mudança de muitos estilos de vida. Coceira, vergões, inchaço, ardência, nariz trancado. Quem tem, sabe: lidar com ela é bastante difícil. A alergia é um termo que engloba diversas doenças que possuem mecanismos diferentes e representa uma resposta imunológica exagerada a uma substância inofensiva. Existem muitas doenças alérgicas diferentes, como asma, rinite, dermatites e urticária, por exemplo.

Você sabia que pode “se tornar” alérgico a algo a qualquer momento? Para a maioria das doenças alérgicas, é necessário ter uma predisposição genética e, em algum momento da vida, dependendo de uma série de fatores, a alergia pode ou não se manifestar. Dependendo da idade, há maior ou menor incidência de reações alérgicas e, apesar de grande parte delas aparecer logo na infância, é difícil determinar as razões que fazem uma alergia surgir no começo da vida ou apenas na fase adulta, por exemplo.

Atualmente, existem estudos que avaliam formas de "evitar" alergias. Por exemplo: será que, se uma gestante não comer certos alimentos, ela evitará que o filho seja alérgico? Será que a restrição de contato com alguns produtos evita a alergia? As suposições existem, porém uma coisa é fato: uma pessoa já nasce com predisposição para desenvolver alergia e os fatores externos podem sim influenciar o seu desencadeamento.

É possível curar uma alergia?

Como existe o componente genético, é difícil falar em “cura”. Por outro lado, em algumas situações, é possível conduzir a pessoa a um estado de tolerância, ou mesmo diminuir a sensibilidade e reduzir o impacto do alérgeno em sua vida. Para que ocorra a dessensibilização, é feito um procedimento conhecido por imunoterapia, bastante utilizado para tratar asma, rinite e alergia ao veneno de insetos (abelha, vespa e formiga).

Além disso, também é possível levar o paciente a um estado de tolerância a determinados alimentos, como o leite, e tolerância temporária a medicamentos - para que um tratamento possa ser realizado. A exposição frequente a doses pequenas do que causa a alergia pode permitir um contato maior, mas este tipo de tratamento deve ser feito com a orientação de um especialista, pois a exposição sem cuidados adequados pode resultar em uma reação alérgica com risco alto!
Infelizmente, uma alergia pode desaparecer e reaparecer muitos anos depois. Ou seja: não há como considerar-se de fato curado.

Para saber se você pode conviver melhor com algo que te causa alergia, é fundamental procurar um médico: os casos são avaliados um a um, pois existem recursos para tratar todos os tipos de alergias e controlar sintomas também. Quando não há como evitar o contato – com ácaros, por exemplo -, o que se faz é controlar a inflamação que o processo alérgico causa e, consequentemente, suas consequências.

Quem deu as informações: Luis Felipe Ensina, médico especialista em alergia e imunologia clínica e coordenador do Centro de Referência e Excelência em Urticária da Unifesp e Anete Grumach, docente da Disciplina de Imunologia Clínica da Faculdade de Medicina do ABC.
 
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