23/02/2018 às 09h52min - Atualizada em 23/02/2018 às 09h52min

Nos cinemas, 'A Grande Jogada' mostra submundo do pôquer em Hollywood

Foto: Divulgação

O que astros do cinema como Ben Affleck, Leonardo DiCaprio e Tobey Maguire? Além de terem estrelado superproduções nas últimas décadas, eles gostavam de apostar boa parte de suas fortunas em jogos super-exclusivos de pôquer, nos quais sentavam lado a lado com outras figuras milionárias da música e dos negócios. A organizadora destes encontros secretos era Molly Bloom, cuja trajetória é contada em ‘A Grande Jogada’, filme em cartaz no Brasil a partir desta semana.
 

O roteiro escrito por Aaron Sorkin e indicado ao Oscar na categoria é inspirado no livro em que Molly narra sua empreitada num submundo no qual conseguiu sobreviver de acordo com algumas regras. A principal era a discrição: ela nunca entregou seus “clientes”, mesmo que isso fosse lhe garantir um dinheiro extra quando as autoridades e a imprensa tomaram conhecimento de suas atividades ilícitas. As poucas celebridades que tiveram seus nomes revelados foram citadas na delação de outro participante, e o filme segue a conduta de sua protagonista ao utilizar apenas nomes fictícios.
 

A curiosidade por tentar adivinhar quem é quem acaba sendo um dos atrativos de ‘A Grande Jogada’, mas não o único. Interpretada por Jessica Chastain, uma das melhores atrizes norte-americanas da atualidade, Molly Bloom é uma personagem forte e obstinada, marcada por um trauma na juventude que abreviou sua carreira de atleta, mas não lhe tirou o apetite por vencer na vida.
 

Porém, o filme peca pela verborragia do texto. Conhecido por criar extensas cenas de diálogos em longas como ‘A Rede Social’, ‘Steve Jobs’ e nas séries ‘The West Wing’ e ‘The Newsroom’, Sorkin nitidamente se sentiu à vontade para colocar informações demais na tela, sem outro diretor para cortar seu barato.
 

Em sua estreia na direção, ele perde o limite do bom senso e estende sua história muito mais do que deveria. Soterrado por isso, a história interessante da protagonista sofre de uma exaustão que nem as performances apaixonadas de Jessica e Idris Elba, como seu advogado, conseguem superar.
 

Pior do que as falas demasiadamente expositivas (em inúmeras vezes os personagens simplesmente repetem o que é dito pela narração em off, algo que era supostamente para ser engraçado, mas vira apenas bobo) são as analogias óbvias entre o percurso de Molly na clandestinidade e sua curta carreira como esportista, ou entre sua estratégia de defesa judicial ao estilo all-in e sua relação com o pôquer. Sem falar numa cena constrangedora com o pai (Kevin Costner) perto do final, ofensa a qualquer pessoa que tenha estudado psicologia ou faça sessões com um terapeuta.
 

Depois de duas horas e vinte de projeção, a sensação é de que ‘A Grande Jogada’ é um filme irregular, que pode acabar esquecido mesmo tendo um caso interessante para contar.
 

Clique aqui e veja o trailer.
 


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