01/02/2019 às 12h33min - Atualizada em 01/02/2019 às 12h33min

Criolo surpreende e defende CPI da Rouanet; cantor poderá ganhar inimigos de peso…

O que Paula Lavigne acha disso?

MBL NEWS
O Rapper Kleber Cavalcante. Criolo Doido
Em recente entrevista, o rapper Criolo jogou um problemão no colo de seus colegas. O cantor abordou a polêmica da lei Rouanet de forma corajosa, evitando incorrer no discurso batido dos artistas gauche de sempre — famosos por passar pano para abusos e exageros — , parceiros que são de verdadeiras máfias para liberação de recursos.

“Sou completamente a favor de ter uma pesquisa severa. Sou completamente a favor de que tenha realmente uma CPI, qualquer coisa que seja, para apurar. Aí o que acontece: quem roubou, quem fez mau uso, vai aparecer, e aí vão deixar em paz as outras pessoas, porque virou jargão popular: “O rapaz é artista? Acabou a lei, acabou a mamata”” — afirmou Criolo ao blog. E prosseguiu:

“Essa lei foi construída para se facilitar esse trabalho, o ganha pão de uma série de pessoas que entregaram sua vida para a cultura, e que são agentes de modificação social extremamente importantes para o Brasil. E todos eles caírem nesse jargão e serem motivo de piada, é muito cruel. Olha, por favor, façam logo. Aí também vai ter que divulgar quem realmente está no erro.“

Vamos lá. Criolo estabeleceu tom diferente do que é repetido pelo mainstream artístico brasileiro. Caminha, nesse sentido, em sintonia com o também rapper Mano Brown, que destacou-se recentemente por mandar o PT “procurar as bases” durante evento pró-Haddad. Ainda que os casos sejam diferentes, podemos ao menos perceber uma tendência à rebeldia no curral da esquerda; isto é sinal, antes de tudo, da crise de liderança nas hostes vermelhas, em disputa desde a prisão de Lula.

Ainda assim, é louvável que Criolo faça coro pela CPI da Rouanet. Junta-se agora a lideranças da direita brasileira que há muito tempo pleiteiam um pente fino nas liberações de verba. Imagino — é claro! — que isso lhe renderá um pito de gente como Paula Lavigne e demais figuras entrosadas com os meandros da lei de incentivos. Ficará de fora de algumas festinhas. Mas poderá dormir tranquilo.

Seu interesse na idoneidade na classe artística torna-se mais legítimo quando propõe uma investigação que mexa com interesses de gente poderosa ao seu redor. Criolo perdeu pontos com o Leblon, mas ganhou a confiança do Brasil.

 
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