14/12/2018 às 15h26min - Atualizada em 14/12/2018 às 15h26min

Diretores do Facebook teriam ignorado alertas sobre manipulação e segurança

Canal Tech
Foto: Imagem Ilustrativa
O final de semana chegou de maneira nada boa para os principais executivos do Facebook. Em mais uma extensa reportagem, o jornal americano The New York Times revelou mais detalhes dos bastidores sobre a forma como a rede social lidou com suas principais crises dos últimos anos. E, mais uma vez, o CEO Mark Zuckerberg é colocado como alguém responsável por minimizar os riscos de segurança e campanhas de manipulação, enquanto a diretora operacional Sheryl Sandberg aparece como responsável por iniciativas de limpeza de imagem.

Essas são as duas principais acusações obtidas a partir de mais de 50 entrevistas com funcionários, antigos colaboradores, ativistas políticos, advogados e outras fontes. No texto, os executivos da companhia são retratados como desconectados da realidade da rede social, agindo com surpresa, inação ou até mesmo irritação a revelações de problemas ou situações que saiam de seu controle.

Foi o caso, por exemplo, de uma publicação de 2015 em que o então candidato à presidência dos EUA, Donald Trump, afirmava ser necessário uma proibição completa na entrada de muçulmanos no país. O post foi compartilhado mais de 15 mil vezes nas primeiras 24 horas, enquanto Zuckerberg se mostrou impressionado com o alcance das palavras, além de discordar delas, já que, ele mesmo, é o fundador de ONGs voltadas, justamente, ao apoio a imigrantes.

O final de semana chegou de maneira nada boa para os principais executivos do Facebook. Em mais uma extensa reportagem, o jornal americano The New York Times revelou mais detalhes dos bastidores sobre a forma como a rede social lidou com suas principais crises dos últimos anos. E, mais uma vez, o CEO Mark Zuckerberg é colocado como alguém responsável por minimizar os riscos de segurança e campanhas de manipulação, enquanto a diretora operacional Sheryl Sandberg aparece como responsável por iniciativas de limpeza de imagem.

Essas são as duas principais acusações obtidas a partir de mais de 50 entrevistas com funcionários, antigos colaboradores, ativistas políticos, advogados e outras fontes. No texto, os executivos da companhia são retratados como desconectados da realidade da rede social, agindo com surpresa, inação ou até mesmo irritação a revelações de problemas ou situações que saiam de seu controle.

Foi o caso, por exemplo, de uma publicação de 2015 em que o então candidato à presidência dos EUA, Donald Trump, afirmava ser necessário uma proibição completa na entrada de muçulmanos no país. O post foi compartilhado mais de 15 mil vezes nas primeiras 24 horas, enquanto Zuckerberg se mostrou impressionado com o alcance das palavras, além de discordar delas, já que, ele mesmo, é o fundador de ONGs voltadas, justamente, ao apoio a imigrantes.

Não foi o primeiro atrito entre Sandberg e Stamos, também. O diretor de segurança teria se encontrado novamente por mais algumas vezes com os diretores do Facebook, expondo o tamanho da influência russa e, inclusive, se mostrando preocupado com as declarações de Zuckerberg, que havia afirmado na imprensa que a rede social não teve influência na eleição de Trump. Atitudes sobre o caso somente teriam sido tomadas em dezembro de 2016, quando já era tarde demais.

Novamente, entretanto, questões políticas e de relações públicas entraram no caminho. Em um ato que teria sido um dos estopins da saída de Stamos da rede social, os diretores do Facebook teriam barrado a publicação de um relatório com os achados da equipe de segurança sobre a campanha de influência russa. Os temores eram diversos: um atrito com o país europeu; com os republicanos, que poderiam acusar o Facebook de estar do lado dos democratas; com os usuários a favor de Trump e seguidores de páginas responsáveis pela manipulação; e, acima de tudo, com os acionistas.

Ao mesmo tempo, porta-vozes da rede social negavam veementemente qualquer influência russa na plataforma e tentavam impedir o andamento de investigações federais que, hoje sabemos, seguiram em frente. Novas sugestões de revelações por Stamos foram impedidas e o sentimento de irritação aumentava, na medida em que, novamente, os executivos tinham a sensação de estarem perdendo o controle.

O contato com o governo de forma completa e a admissão sobre a existência de uma campanha de manipulação veio apenas em outubro de 2017. Na ocasião, o Facebook admitiu a influência russa na plataforma e afirmou que 126 milhões de pessoas, em todo o mundo teriam visto publicações patrocinadas, direcionadas ou criadas com intuitos políticos por agentes externos. Quando o escândalo Cambridge Analytica detonou, meses depois, foi só a cereja do bolo.

Rivais também teriam sido colocados na mira. Em conversas de bastidores, nomes como YouTube e Google teriam sido citados como adeptos das mesmas práticas de coleta de dados utilizadas pelo Facebook, além de serem vetores de discursos semelhantes aos vistos na rede social. A ideia seria criar um ambiente em que ações desse tipo são comuns, e não um problema exclusivo da plataforma.

Todo o escândalo teria levado ao engavetamento de uma campanha publicitária que seria voltada, justamente, para tranquilizar o público quanto à manipulação e indicar que a rede social estava tentando voltar a um caminho correto. Em vez disso, o que se iniciou foi um esforço de controle de danos, que incluiu diversas postagens e entrevistas de Zuckerberg sobre o caso e até testemunhos diante do parlamento americano. A empresa deu sua versão da história, mas a opinião pública já estava inevitavelmente voltada contra ela.

A reportagem levanta suspeitas de que Sandberg estaria mais preocupada com a própria carreira e, principalmente, com um possível retorno à arena política do que com os usuários do Facebook e a empresa em si. Entrevistados citaram incertezas internas quanto a isso e comportamentos que levantaram questionamentos, sempre abordados com rispidez e descontrole por parte da diretora operacional. Ela falou pouco sobre o assunto publicamente, enquanto Zuckerberg teria sofrido todo o dano da atual crise de credibilidade da rede social.

Ela, entretanto, não participa diretamente da reportagem. Tanto Sandberg quanto Zuckerberg não concederam entrevistas ao jornal americano nem comentaram diretamente as alegações obtidas pelos jornalistas. Em declaração, o Facebook admitiu ter demorado para abordar os desafios e problemas, mas estar em um processo de adequação para “consertar” a plataforma.
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